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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

DE COIMBRA A LUÍS DE CAMÕES



Olha, Luís, acorda do teu sono
Mete-te a caminho, cuidado com as botas
E vem vê-lo manso, já com dono,
Com água todo ano e com gaivotas...

Que musas cantarias hoje? Inês.
A que depois de morta foi rainha?
Está tudo tão mudado, Luís, não vês?!
Então vem ver! Levanta-te e caminha...

Já não há musas como dantes,
Daquelas fidelíssimas, devotas,
D`olhos de sonho, fieis, virgens, amantes.
Até o rio é outro! Com gaivotas.

Mas pode ser que também tu estejas mudado
E vendo as saudosas margens do Mondego,
Polvilhadas de casas e fábricas, fiques chateado
E não venhas cá tão cedo.

Mas se vieres, pode ser que encontres uma
Musa, divorciada até e mãe de filhos,
Que, em verso, vestiremos de azul e espuma,
Caminhando fresca e segura entre os junquilhos...

António Alves Cardoso