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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Este é o tempo



Este é o tempo 
Da selva mais obscura 

Até o ar azul se tornou grades 
E a luz do sol se tornou impura 

Esta é a noite 
Densa de chacais 
Pesada de amargura 

Este é o tempo em que os homens renunciam. 


Sophia de Mello Breyner, Mar Novo (1958) 


sábado, 29 de julho de 2017

Homem de joelho no chão




Homem de joelho no chão
Desfralda as velas usadas
Que te embaraçam a alma
Reforça tuas asas
Ensaia as sendas da paz
Navega em terra ou no mar
Enxada na mão a semear teu pão

Que as rugas mais vincadas do teu rosto
Não sejam dos anos mas beijos de luar
Quando na noite mais profunda
Procuras refúgio em colo aberto
E ambas lágrimas num só caudal,
Formam lagos de sal
Reza, reza por ti

Nina

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Escreva a sua história - Pedro Bial



Escreva a sua história na areia da praia,
Para que as ondas a levem através dos 7 mares;
Ate tornar-se lenda na boca de estrelas cadentes.

Conte a sua história ao vento,
Cante aos mares para os muitos marujos;
Cujos olhos são faróis sujos e sem brilho.

Escreva no asfalto com sangue,
Grite bem alto a sua história antes que ela seja varrida na
Manha seguinte pelos garis.

Abra o peito em direcção dos canhões,
Suba nos tanques de Pequim,
Derrube os muros de Berlim,
Destrua as cátedras de Paris.
Defenda a sua palavra,
A vida não vale nada se você não tem uma boa história pra contar.

Pedro Bial



quinta-feira, 27 de julho de 2017

Ode à Paz - Natália Correia


Ode à Paz
Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História, deixa passar a Vida!

Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)" 


quarta-feira, 26 de julho de 2017

O contorno da vida é o amor - Maria Assis


Existem amores tão grandiosos e excelsos
Que o peito se torna exíguo para os conter
São o contorno da vida
Igualam a força do mar
Ofuscam o brilho do sol
Pintam auroras boreais
Geram nascentes no deserto

E essa água ganha vida, asas
Contorna obstáculos incontornáveis
Percorre montanhas inalcançáveis
E desagua como uma brisa
De letras desenhadas a nanquim
Arrepio que diz estou vivo, um
suspiro no coração do amado

Maria Assis






terça-feira, 25 de julho de 2017

O Caminho da Vida - Charles Chaplin


O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.

A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

Nossos conhecimentos fizeram-nos cépticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.


Charles Chaplin


segunda-feira, 24 de julho de 2017

Vendaval - Miguel Torga



Meu coração quebrou.
Era um cedro perfeito;
Mas o vento da vida levantou,
E aquele prumo do céu caiu direito.

Nos bons tempos felizes
Em que ele batia, erguido,
Desde a rama às raízes
Era seiva e sentido.

Agora jaz no chão.
Palpita ainda, e tem
Vida de coração...
Mas não ama ninguém.

Miguel Torga, in 'Diário (1942)' 


domingo, 23 de julho de 2017

Cabra-Cega - Pedro Homem de Mello




À volta de incerto fogo
Brincaram as minhas mãos.
... E foi a vida o seu jogo!

Julguei possuir estrelas
Só por vê-las.
Ai! Como estrelas andaram
Misteriosas e distantes
As almas que me encantaram
Por instantes!

Em ritmo discreto, brando,
Fui brincando, fui brincando
Com o amor, com a vaidade...

— E a que sentimentos vãos
Fiquei devendo talvez
A minha felicidade!

Pedro Homem de Mello, in "Jardins Suspensos" 


sábado, 22 de julho de 2017

Vida Sempre - Casimiro de Brito


Entre a vida e a morte há apenas
o simples fenómeno
de uma subtil transformação. A morte
não é morte da vida.
A morte não é inacção, inutilidade.
A morte é apenas a face obscura,
mínima, em gestação
de uma viagem que não cessa de ser. Aventura
prolongada
desde o porão do tempo. Projectando-se
nas naves inconcebíveis do futuro.

A morte não é morte da vida: apenas
novas formas de vida. Nova
utilidade. Outro papel a desempenhar
no palco velocíssimo do mundo. Novo ser-se (comércio
do pó) e não se pertencer.
Nova claridade, respiração, naufrágio
na máquina incomparável do universo.

Casimiro de Brito, in "Solidão Imperfeita" 


sexta-feira, 21 de julho de 2017

Poema para Iludir a Vida - Fernando Namora


Tudo na vida está em esquecer o dia que passa.
Não importa que hoje seja qualquer coisa triste,
um cedro, areias, raízes,
ou asa de anjo
caída num paúl.
O navio que passou além da barra
já não lembra a barra.
Tu o olhas nas estranhas águas que ele há-de sulcar
e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos
                                                                               [portos.
Hoje corre-te um rio dos olhos
e dos olhos arrancas limos e morcegos.
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje
                                                                                 [o fim
e que há certezas, firmes e belas,
que nem os olhos vesgos
podem negar.
Hoje é o dia de amanhã.

Fernando Namora, in "Mar de Sargaços" 


quinta-feira, 20 de julho de 2017

No Dia dos Amigos, e porque amizade é sinónimo de viver




Aos Amigos

Estou grata
Por cada sorriso imaginado e cada lágrima não vertida
Por cada sonho embalado no coração resguardado
Por cada voto sentido, ainda que adormecido
Por cada Anjo da vida que nesta seara labuta
Alfaias singulares, da Consciência Divina
Que na nossa eira, semeiam e colhem
As imortais flores da amizade



Maria Adelina


A Vida - Nuno Júdice


A vida, as suas perdas e os seus ganhos, a sua
mais que perfeita imprecisão, os dias que contam
quando não se espera, o atraso na preocupação
dos teus olhos, e as nuvens que caíram
mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações
a abrir-se para dentro e para fora
dos sentidos que nada têm a ver com círculos,
quadrados, rectângulos, nas linhas
rectas e paralelas que se cruzam com as
linhas da mão; a vida que traz consigo as emoções e os acasos,
a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram
e dos encontros que sempre se soube que
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada,
sob a luz indecisa que apenas mostra
as paredes nuas, de manchas húmidas
no gesso da memória;
a vida feita dos seus
corpos obscuros e das suas palavras
próximas.

Nuno Júdice, in "Teoria Geral do Sentimento" 


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Pergunto-te Onde se Acha a Minha Vida -Cecília Meireles


Pergunto-te onde se acha a minha vida.
Em que dia fui eu. Que hora existiu formada
de uma verdade minha bem possuída.

Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada.

E a quem é que pergunto? Em quem penso, iludida
por esperanças hereditárias? E de cada
pergunta minha vai nascendo a sombra imensa
que envolve a posição dos olhos de quem pensa.

Já não sei mais a diferença
de ti, de mim, da coisa perguntada,
do silêncio da coisa irrespondida.

Cecília Meireles, in 'Poemas (1942-1959)' 


terça-feira, 18 de julho de 2017

Viver - Sónia Castro




Viver

Viver é amar, sofrer, sonhar!
Aprender a cada minuto
Saber ganhar e perder
Lembrar e tentar esquecer


Viver é questionar cada momento
A própria consciência
Ver além dos olhos e com o coração
É também insistência

Viver é uma canção!
Dar  valor ao que se tem
Enquanto se tem
É ser alguém, e não ninguém.



Sonia Castro/Do Livro Sensibilidade/Rio de Janeiro/Brasil

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Deixai que a Vida sobre Vós Repouse - Jorge de Sena




Deixai que a vida sobre vós repouse
qual como só de vós é consentida
enquanto em vós o que não sois não ouse

erguê-la ao nada a que regressa a vida.
Que única seja, e uma vez mais aquela
que nunca veio e nunca foi perdida.

Deixai-a ser a que se não revela
senão no ardor de não supor iguais
seus olhos de pensá-la outra mais bela.

Deixai-a ser a que não volta mais,
a ansiosa, inadiável, insegura,
a que se esquece dos sinais fatais,

a que é do tempo a ideada formosura,
a que se encontra se se não procura.

Jorge de Sena, in 'As Evidências' 


domingo, 16 de julho de 2017

Vida - Miguel Torga



Do que a vida ê capaz!
A força dum alento verdadeiro!
O que um dedal de seiva faz
A rasgar o seu negro cativeiro !

Ser!
Parece uma renúncia que ali vai,
— E é um carvalho a nascer
Da bolota que cai!

Miguel Torga, in 'Diário (1943)' 


sábado, 15 de julho de 2017

Crepúsculo - Cília Diniz






Crepúsculo

Sinto-te no palpitar das horas
como corrente sanguínea
a invadir meu cérebro
a tempo inteiro.


Olho em redor
tanta beleza
em imagens loucas.


Abrando o passo.
À hora do crepúsculo
as sombras transfiguram-se
confundem-nos
todos os cuidados são poucos.


Sei, mas...


Não paro de tropeçar na tua ausência.


Cília Diniz

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Vida - Agostinho da Silva



Três votos fará aquele
que não ser tolo decida
e venha deles primeiro
o de obediência à vida

será o segundo a vir
o de não querer ser rico
o muito passe de largo
o pouco lhe apure o bico

não violar-se a si próprio
como principal o veja
alto ou baixo gordo ou magro
assim nasceu assim seja.

Agostinho da Silva, in 'Poemas' 


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Os Anos são Degraus - Fernanda de Castro



Os anos são degraus, a Vida a escada.
Longa ou curta, só Deus pode medi-la.
E a Porta, a grande Porta desejada,
só Deus pode fechá-la,
pode abri-la.

São vários os degraus; alguns sombrios,
outros ao sol, na plena luz dos astros,
com asas de anjos, harpas celestiais.
Alguns, quilhas e mastros
nas mãos dos vendavais.

Mas tudo são degraus; tudo é fugir
à humana condição.
Degrau após degrau,
tudo é lenta ascensão.

Senhor, como é possível a descrença,
imaginar, sequer, que ao fim da Estrada,
se encontre após esta ansiedade imensa
uma porta fechada
e mais nada?

Fernanda de Castro, in "Asa do Espaço" 


terça-feira, 11 de julho de 2017

Leiam com os olhos, mas, sintam com a Alma





Partilhamos um dos poemas mais belos e interessantes lidos até hoje. No seu profundo conhecimento da alma feminina, comparo Mia Couto a  Léon Tolstoi. 




A CASA

Confesso:
Quando a olhei
eu apenas queria,
em sua boca,
a água onde começa a vida.
E fui num murmúrio:
preciso do teu fogo
para não morrer.
Ela, então,
sussurrou o convite:
vem a minha casa.
No caminho,
porém,
recusou meu braço,
esfriou o meu alento.
E corrigiu-me assim o intento:
não te quero corpo,
nem quero o fogo do leito,
nem o frio do adeus.
Suave murmurou:
levo-te,
homem,
a minha casa
para aprenderes a ser mulher.
Que nenhum outro fim
a casa tem.

Mia Couto



segunda-feira, 10 de julho de 2017

Iniciativa Quadras Populares - Os Distinguidos




Agradecimento




Caros Amigos

Expressamos o nosso agradecimento a todos os presentes no maravilhoso “Manhãs de Poesia” de ontem, especialmente às pessoas que se juntaram a nós pela primeira vez.

Um agradecimento especial à Sandra e ao Guilherme, pelos belos momentos que nos ofereceram através da música.

Aproveitamos para informar que em Agosto não haverá o  “Manhãs de Poesia” dado que o espaço se encontra fechado para férias.

Este blogue continua sempre activo e disponível para as vossas partilhas e sugestões, relembro que este é um espaço de, e para todos nós.


Saudações Poéticas


Poema do Sol - José Luís Bastos





Poema do Sol

Eu sou o Sol, o teu melhor Amigo
Dou-te a Luz e o Calor que precisas para a tua Vida

E faço isto não apenas contigo
Mas com todas as pessoas, animais e plantas
Com todo o Planeta

Na verdade criaram-me para Amar e Servir
Para dar Luz, Calor e Vida
Para tudo regenerar e vivificar

Eu sou essa fonte de energia inesgotável
Que ama incondicionalmente tudo e todos

Eu sou o teu Pensamento Positivo
Sou o Amor que arde sem se ver no teu Coração

Eu sou aquele Sorriso que fizeste no teu primeiro desenho

Se queres ser Feliz, sê como eu
Sê bom para ti e para os outros

Aonde queres que vás, nunca te esqueças:
De Sorrir, de levar a tua Luz e a tua Alegria

Verás que também tu podes ser um Sol
para ti e para muitos outros

Pois só assim se pode viver uma Vida Com Sentido!

JLB ( à minha filha nos seus 6 anos)



domingo, 9 de julho de 2017

Sobre a Vida - Maria Assis


Sobre a Vida

Só pela integralidade da alma
Nasce o ímpeto de mais um passo
Salto de fé na incógnita de cada dia

Encontros são portais de possibilidades
Balançando no deve e haver do destino
Fermentados na dádiva, na fraternidade

Partidas são abismos a transpor
A fundura é a medida do amor
Alguns, 
Não se preenchem nem o tempo cura


Maria Assis







sábado, 8 de julho de 2017

Vida Amanhecida - Aida Duarte




VIDA  AMANHECIDA


O corre-corre da vida deixa marcas, encontrões. Tenho a vida amanhecida: larguei cismas, ilusões... Ela bem me desafia, espicaça, mas em vão!... Quebrar-me, fazer-me em cacos?... Nem por um dia, isso, NÃO!
As marretadas da vida abalam, dão empurrões! Põem à prova a nossa força, só que a vida amanhecida nasce em nós todos os dias... Nascemos a cada instante, conforme a vida deixar.
Sábia a idade, mestra a VIDA que nos faz assim pensar!


Maria Aida Duarte


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Vida - Maria Adelina



Vida

Vida sem sonho é vida perdida
Bátega de água sem destino
Rega, sem campo ou cultivo

“O Sonho comanda a vida”
Ao inverter o paradigma
A vida, comanda o sonho

Vivo! o sonho de me saber
A juntar vontade e querer
A ser, o sonho pelo qual vivo

Estrela do meu horizonte, viver, é estar presente!
Na lucidez da mente, criar o sonho do renascer!
Ser-se humano, e vivo, é o abraço fraterno sonhado
E pela senda de tantos passos, eternizado.


A.


A Vida - Florbela Espanca


É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés d'alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo "Pedro Sem",
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo donde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia...
A gente esquece sempre o bem dum dia.
Que queres, ó meu Amor, se é isto a Vida!...

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade" 


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Vida - Álvaro de Campos/FernandoPessoa






Encostei-me
Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos,
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
A minha vida passada misturou-se com a futura,
E houve no meio um ruído do salão de fumo,
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez.

Ah, balouçado
Na sensação das ondas,
Ah, embalado
Na ideia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,
De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse.

Ah, afundado
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.

Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos —
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o
compreender
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa 

Um pouco de mim





Um pouco de mim

A vida me ensinou
Que para ser o que sou
Estive sempre presente
Sinto orgulho no que fiz
Foi deus que assim  o quis
Era ainda adolescente

Não foi fácil conseguir
Mas nunca quis desistir
Porque sempre acreditei
Que um dia iria ter 
A recompensa de ser
A pessoa que sonhei

Tive mestres exigentes
Que foram influentes
Em tudo que aprendi
Hoje posso afirmar
Que irei sempre preservar
O muito que consegui

O meu muito obrigado
A meu pai que já cansado
Me deu sempre o melhor
Com orgulho reconheço 
E ele sabe bem que mereço 
O seu carinho e amor.

Carlos Arzileiro


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Acende Tua Alma, Inspiração






Inspiração é a Alma quando acende
Brilha e expande no sopro incandescente
Do rubro carvão nas cinzas remanescente

Inspiração são os Anjos a sorrir
Mensageiros de códigos secretos
Toques de amor eternizados

Inspiração é o tabernáculo
Da pura essência do coração
Dialecto esquecido da razão

Inspiração é prece ou oração
Pétalas de rosa pairando
Silêncios carregados de som

A.