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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Infância



A tua longa trança
De menina inocente
De paz presente
Limpa o ar que respiro
E traz de volta o tempo
Onde me invento.
A tua longa trança
Meu tenro pardalito em festa
Voa e saltita
Enche a minha face de luz bendita.
Menina de longa trança
Menina em mim escondida
Menina da minha trança
Oh! Retrato vivo da minha Infância.

Anabela Coelho


       

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Hugo Santos - Tive um sonho (por José-António Moreira)

Em Piedade






Chove em ti torrentes de água
Que as nuvens compartem
Em piedade,
Pelos cegos da vida

A lua debandou perdeu o rumo
Na escuridão dos teus olhos
A tormenta recrudesce dolorosa
Cataclismo em tuas costas curvadas

Corres acantonado ao fútil destino
Buscas o calor que tua alma clama
Nos espasmos de sede aprendes a dor
P`la água viva no horizonte perdida 

Hélios, força motriz, destapa tua face 
Sombreada pela ignorância, crueldade
Do ser humano confuso e perdido
E abençoa o renascer de um novo mundo


Nina




domingo, 23 de abril de 2017

O Espelho




(Este poema é dedicado ao Paulo nosso estimado colega das Manhãs de Poesia)


O Espelho



No espelho que afirmo não ser mágico
Deparo com as bátegas de um mar privado
Escorre em mim o sal que o sol me seca na pele
E a sede anseia pelo frescor das sílabas temperadas

Receio o que não sinto, sinto o que não leio
São sementes espalhadas pelo vento
Que desabrocham no tom de bosque
Dos olhos que fitam o espelho

Na cadência do poema reencontro-me
E acolho,
Na alma o ribombar do trovão
No coração, o fogo do vulcão

Olho o espelho e quiçá
Quiçá repense, se é mágico, ou não!

Maria Adelina


segunda-feira, 17 de abril de 2017

SACOLA AO OMBRO



Para trás a maravilhosa infância…
Sacola ao ombro aí vai a menina,
Noite fora caçar estrelas pelo céu
Brilhante de azul, que é o seu.

Vive  dia-a-dia
O adolescente paraíso da luz
Das flores dos amores
E das cores da fantasia.

Sempre disponível voluntariosa
Optimista leal e afectuosa,
Abre-se ao mundo num encanto.

Adora dança, baile e canto.
Tem liberdade e imaginação.
É líder compreensiva, vaidosa,
Mais linda que qualquer rosa.

Não te esqueças menina
Que Mestre de prudência é a prudência.

Sempre é tempo de se meditarem romances
E de se pensar no perigo da atracção dos opostos
Que, na vida, opostos costumam seguir.

Tantos caminhos pode ter a estrela…
Percorre os teus, sempre em paz e alegria,
Sempre feliz, sempre a sorrir.

João Coelho dos Santos



Do livro (35º) FINITO INFINITO
 


terça-feira, 11 de abril de 2017

Não, desta vez não vou…



Não, desta vez não vou…


Hoje acordei com a dor das árvores;
estou de pé e o meu corpo sustém
o vazio e a solidão dos ramos
côncavos de espera,
impacientes de ternura.
Quero o bracejar dos pássaros,
ser refúgio dos ventos que me procuram,
tornar-me na folhagem que te abriga,
ser o ninho na tua noite, aberto
com a inquietação e a serenidade
do rumor das aves mais tardias.
Não, desta vez não vou...


Lília Tavares

segunda-feira, 10 de abril de 2017

O som do silêncio



Os céus estremecem de frio
E as estrelas andam para trás
As galáxias dão-se as mãos
Em gesto de compaixão
Os deuses desembainham
E selam as ordens
Nunca o som do silêncio
Foi tão ensurdecedor

Os relógios não contam o tempo
Suspensos do coração da terra
Gaya aguarda o sinal
Engalana-se com cores
Lenço de dama em torneio
Estandarte dos cavaleiros
Ao serviço da regeneração

Meu Senhor

No teu ilimitado amor
Que limite para te libertar?
Que de paz
Que de bondade
Que de verdade
Que de fraternidade
Que de sacro-ofício
Que de orar-acção
Para da cruz te afastar?

Meu Senhor

Não há mais sudários, nem lágrimas para te chorar…

Nina





Herberto Helder - Tríptico (por José-António Moreira)

sábado, 8 de abril de 2017

Bem-Haja



"Um pouco de perfume fica sempre nas mãos de quem oferece flores"



Caríssimos Amigos, poetas de escrita, poetas de expressão, poetas de sentir, este jardim perfumado a poesia é abençoado e continua sempre aberto à dádiva das vossas escolhas e partilhas.
Poemas próprios ou dos vossos autores preferidos - Poemas cantados ou musicados, são o contributo de cada um para que todos possamos usufruir de mais e melhor poesia, a linguagem da concordância universal.
Cabe ainda o agradecimento a todos que nos têm honrado com a sua visita, partilha, comentários. Um agradecimento especial aos "amigos de Coimbra", exímios poetas, pela assídua presença e generosa partilha da sua inspiração

Um grande BEM-HAJA, a todos Vós


MARÍLIAS



MARÍLIAS
(evocando Cecília Meireles)

Marília tem o seu lenço molhado
Pela ferrugem das horas
Ou por um arroio salgado.

Oh, Marílias de lenços no rosto
Em mil tormentos dobrados
Marílias de tantos lenços
Marílias de lenços molhados.

Marílias alegres do mundo
De olhos doces bordados
Marílias do ventre da noite
De olhos tristes, fechados.

Cantemos as Marílias da terra
Marílias de todas as idades
Marílias de finos lenços
Já sem arroios salgados.

Cantemos as Marílias da terra
Marílias de todas as idades
Acenem Marílias os lenços
Lenços com beijos bordados.


Anabela Coelho

SE EU FOSSE





SE EU FOSSE

Se eu fosse
Dono desse sorriso travesso,
Se eu fosse
O grito do silêncio em garganta rouca…

Se eu fosse
Poema que não morre e corre ao vento,
A todo o tempo conheceria as idades
De meu corpo e de minha alma.

Se eu fosse
Paisagem alagada de sol,
A cada madrugada sucederia novo dia.

Se eu fosse
Vaporoso fantasma de diáfana palidez,
Apagaria as chamas
Do olhar com que me chamas.

Se eu fosse
Quimera dolorosa,
Sentiria renascer a paixão da mocidade.

Se eu fosse
Só e voasse como pássaro perdido,
Saberia que, depois da perda,
Se escutam vozes que se calaram.

Se eu fosse
Como a borboleta
Que levita de flor em flor…

Se eu fosse
Porto sem barcos sem água
Sem docas nem gaivotas…

Se eu fosse Prometeu
Que ambicionou o fogo do céu…

Se eu fosse
Feiticeiro e alquimista,
Não queria tanta gente a chorar,
Nem que lhe restasse só a solidão.
As lágrimas também padecem.



João Coelho dos Santos

Do 35º livro – FINITO INFINITO


sexta-feira, 7 de abril de 2017

A Utopia da Liberdade no Manhãs de Poesia


Abril, o tal das águas mil, como mil as esperanças na liberdade
Partilhemos, pela poesia, sentires de liberdade ou da sua utopia



Sopro a Sopro




Desce o pano, sopro a sopro
Da obra-prima, tua eleita
A mais bela obra encenada
Pomba que veste de luz
As asas negras dos corvos

Poupa teu esbracejar
Olhos que não vêm
Além da veste exterior
Tudo aferem pela caliça
Que lhes recobre o interior

Jóia da minha tribo
Busca-te meu Senhor
Reclama de ti o penhor
Em que trigal semeaste
O Seu e teu, imensurável amor


Nina

7 de Abril 2017



Natércia Freire - Na penumbra amável (por José-António Moreira)

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Estrelas Cadentes




Somos húmus, terra, orvalho
a semente e a alfaia
estação, escolha, colheita
noite de aurora raiada
mas também, Sol na escuridão

Somos pequenos universos
compostos de corpos celestes
cada um tem os seus
planetas, sois e luas
cometas, meteoros, estrelas

Todos são mestres das lides, e 
quando se tornam cadentes,
Uns
Deixam-nos correntes de ar quente
brisas que distendem nossas asas
transcendentes, na dimensão espacial
Outros
Compacto e negro pó, oprimente
que devemos misturar com águas sagradas
e moldar, em degraus de ascensão



Nina




terça-feira, 4 de abril de 2017

Em jeito de Homenagem


Uma brisa de palavras em jeito de homenagem (in memoriam) a alguém que viveu em e pela poesia elevando a poesia dos outros. É um reencontro de amantes seculares, a poesia e a voz de José-António.
Que todos possamos usufruir dos cânticos maravilhosos em que se tornam os poemas ditos pelo coração de José-António Moreira

Onde quer que esteja, OBRIGADA






A Hora das Gaivotas



A Hora das Gaivotas


Na hora das gaivotas o mar suspira
Veste-se de prata, recolhe-se ao leito
Murmura devagarinho a sua canção
Embalando os sonhos duma visão

Tapete mágico de areia molhada
Arca de tesouros que o mar escondia
Conchas pequenas, brincos de sereia
Fado, em voz de búzio camuflado

Continuo a busca de olhos no chão
O tesouro está lá desenhado
Na orla do mar, por ele beijado
Marcas de pés em oração


Maria Adelina







domingo, 2 de abril de 2017

Os Hieróglifos do Cosmos - Poetas Vivó`s Poetas

Trova do Vento que Passa ( Mais actualizado que nunca...)


Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre