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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Almas em Contramão



Que maculam os primórdios
Da sua génese e constelação
Afundam velas e veleiros
Caçoam do bem que as sustém
Do divino reflexo que as alumia

Com requinte estilhaçam o braço que as
abalança no frágil arame do seu equilíbrio
Meteoros perdidos na espiral da vida
Moldam ódios, geram penas, destilam ácido
Que corrói as correntes que as elevam

Sentam-se no trono do efémero mundi_ser
Assente nos escombros sem causa
Desnecessários, que cultivam pelo prazer
De se sentirem autores de seus infernos
Rotas, em desafio a Deus


Nina




Vinicius nasceu há 104 anos - Parabéns Poeta

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Poema para Deus


Poema para Deus

Não te engano, nem me engano
Sou imagem reflectida da tua inquietude
Só, na força centrípeta que nos une
Traço horizontes que te motivem

Escorro da lembrança quando te conheci
As lágrimas sem fim dos ciclos de dor
Quiçá, cálice sagrado de cada vida em flor
Pérolas do rosário que desfias

Pergunto-me que te dei do que nada te devo
E quanto me deste do muito que prometes
Nesta simples equação encontrei-te de novo
Quando me disseste: és braço da minha libertação

Voltei a encontrar-te, lembras?
Naquela tarde distante em que te confrontei
Com as armas com que me equipaste
Moldei-as em fogo, delas fiz bordão de peregrinação

Recrio em tudo prece e oração
Em sentir de profunda compaixão
Para colmatar tua inquietude e solidão
Deus, meu companheiro de peregrinação


Maria Adelina


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Adorava



Adorava estar contigo
Num castelo muito antigo
Deixando correr boatos
De fantasmas e guerreiros
Abraçados com ternura
E num castelo algures sombrio
Levar o sol dos teus olhos
E o calor das nossas mãos
Para uma posteridade histórica
Enquanto
Fadas e duendes espreitam pelas ameias


Manuela Graça, a nossa pintora/poeta

domingo, 15 de outubro de 2017

AZUL




AZUL

Eu bebo o azul 
Como quem saboreia 
as chuvas de verão
e vou no voo sereno das gaivotas…
A minha humanidade
é igual à humanidade dos outros
Talvez mais sofrida
talvez mais aguda 
Mas somos todos irmãos
Somos todos gaivotas
E ondas 
E mar 
E sargaços
E dor 
E silêncio 
Somos todos silêncio 
E caminhamos 
Descalços
No fio da navalha
Em busca do azul… 


A. Alves Cardoso 


sábado, 14 de outubro de 2017

As Palavras




As Palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade 

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Alma Serena




Alma Serena

Alma serena, a consciência pura,
assim eu quero a vida que me resta.
Saudade não é dor nem amargura,
dilui-se ao longe a derradeira festa.

Não me tentam as rotas da aventura,
agora sei que a minha estrada é esta:
difícil de subir, áspera e dura,
mas branca a urze, de oiro puro a giesta.

Assim meu canto fácil de entender,
como chuva a cair, planta a nascer,
como raiz na terra, água corrente.

Tão fácil o difícil verso obscuro!
Eu não canto, porém, atrás dum muro,
eu canto ao sol e para toda a gente.

Fernanda de Castro


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A Terra Exerce a sua Justiça (basta olhar o que se passa no mundo)





Memória da Terra


Não precisamos contemplar a chuva
Inverteram-se as posições
Agora é ela que nos contempla

Ergueram-se os olhos da terra

Que de cima verte sobre nós
O pranto ora cascateado ora intenso
De gotas transbordantes de pena

Das penas que colhem dos homens
Que laboram impregnados de ais
E amam, em leitos secos de amor

Dividem a terra em quarteirões
Torturam seu rosto com arame farpado
Carimbam papéis…a que chamam seus quinhões

As lágrimas abrandam pra seus olhos clarearem

Ela precisa ver com mais nitidez os insanos seres
Que constroem com orgulho suas prisões 
Onde se barricam com medos e provisões

Assentam sua história em quantos guerrearam
E os que mais matam…tornam-se heróis
A terra exerce sua justiça

Pela água, sua memória 
Pelo fogo, sua indignação


A.