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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O rio


Rio de letras borda telas em branco
e molda as margens de cada dia
Rio de gotas que dessedentam o coração
no deserto das futuras memórias
Rio espelho de nuvens cinzentas
convergência de olhares molhados
Rio fortaleza, de um só vazio
arca afundada de tesouros quebrados
Rio em cujo leito, pelas madrugadas
buscam refúgio estrelas perdidas

A.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Quando o Amor Morrer Dentro de Ti




Quando o Amor Morrer Dentro de Ti

Quando o amor morrer dentro de ti,
Caminha para o alto onde haja espaço,
E com o silêncio outrora pressentido
Molda em duas colunas os teus braços.
Relembra a confusão dos pensamentos,
E neles ateia o fogo adormecido
Que uma vez, sonho de amor, teu peito ferido
Espalhou generoso aos quatro ventos.
Aos que passarem dá-lhes o abrigo
E o nocturno calor que se debruça
Sobre as faces brilhantes de soluços.
E se ninguém vier, ergue o sudário
Que mil saudosas lágrimas velaram;
Desfralda na tua alma o inventário
Do templo onde a vida ora de bruços
A Deus e aos sonhos que gelaram.

Ruy Cinatti, in “Obra Poética” 

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Das Palavras


Das palavras


de algumas palavras
temos de conhecer mais
que seu significado,
temos de lhes sentir o tacto
o gosto, ouvir a voz,
temos de as provar
beber, comer, saborear
mastigar suavemente
e depois com ternura,
as engolir para que permaneçam
guardadas em nós.
Amor! O que é amor
se não for vivido!


Alice Queiroz


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

INFÃNCIA




INFÃNCIA

e jogava ao pião com Deus
enquanto minha mãe estendia a roupa
e o meu pai mendigava o pão

e minha alegria nesse tempo
era próxima da dos meninos
e de Deus que ganhava sempre

e não sei quem perdi primeiro:
o pião ou Deus
apenas sei que deus continua
a jogar com outros meninos

e que no Outono quando saio à praça
nos sentamos e falamos muito
do suave rodopiar das folhas

Daniel Faria


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Chama de Amor Viva - S. João da Cruz ( Padroeiro dos Poetas) .


Chama de Amor Viva

Canções da alma
na íntima comunicação de união de amor de Deus.
Oh chama de amor viva,
que ternamente feres
da minha alma o mais profundo ponto!,
já que não és esquiva,
acaba já, se queres;
rasga o tecido deste suave encontro.

Oh cautério suave!
Oh deleitosa chaga!
Oh toque delicioso! Oh mão querida,
que à vida eterna sabe,
toda a dívida paga!,
matando, a morte transformaste em vida.

Oh lâmpadas de fogo,
em cujos resplendores
as profundas cavernas do sentido,
escuro e cego, logo
com estranhos primores
calor e luz dão junto ao seu querido!

Quão manso e amoroso
acordas em meu seio,
onde em segredo, solitário, moras;
e em teu aspirar gostoso,
de bem e glória cheio,
quão delicadamente me aprimoras!



S. João da Cruz 
24 de Junho 1542// 14 de Dezembro 1591


sábado, 6 de janeiro de 2018

UMA VELA NA VIDRAÇA



A pequenez de uma vela
por de trás de uma janela,
despendendo frouxa luz
amarela,
é um convite,
um chamamento
a quem passa na viela
e sonha com o clarão dos Magos
— a tal estrela —
e vê nela,
não na estrela, mas
na pálida chama amarela
a tremelicar na janela,
uma réstia de esperança:

Talvez abrigo,
o conforto de um chão morno,
o agasalho de uma telha.

Talvez comida,
um naco de pão bendito,
a sopa a fumegar na panela.

Talvez alguém,
um irmão,
uma palavra,
um ombro ou um abraço.

Talvez, quem sabe,
sim, quem sabe,
o recomeçar de uma vida?

A humildade de uma vela
a rebrilhar à janela
não é de cera,
é de ouro,
é uma riqueza,
é um tesouro,
vale mais que a tal estrela.

Uma vela na vidraça
é uma promessa a quem passa.



Miguel Leitão

Ouro – Mirra – Incenso





Noite fria, abençoada, em bem-querer coroada
De mãos distantes, quentes, derramam-se os presentes
O tempo encantado parou e formou, um círculo de estrelas
Entusiasmo, sã alegria das doces vitórias, e o menino se revelou
No colo da meiguice  entregou-se o homem, e a sua essência brilhou
O tempo dos Reis se faz presente,  cascata de amor,  arco-íris celeste
Fios de seda de que o céu é feito quando a esperança se veste de certeza


A.



segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

POEMA AO ANO NOVO Fina d’Armada



POEMA AO ANO NOVO


                                                                                 


                       
Já lá vem, já lá vem o Ano Novo!


O Ano Novo já lá vem, já lá vem!




Brotam das águas em explosão raios de fogo.


Sobem lírios que no céu se tornam rosas,


fica iluminada e colorida a multidão.


Cabeças se volvem para as estrelas como rezando,


gritos de espanto e de alegria vão soltando.


Rebenta uma rolha, estoira o vinho, a espuma voa.


Champanhe entra em bocas abertas de euforia.


Engolem-se passas, formulam-se votos, doze desejos


ao som de estalidos em festa, sonhos e beijos.




Já lá vem, já lá vem o Ano Novo,


já lá vem anunciando a madrugada!


Das águas emergem novas girândolas florindo


nascidas da criação da mão humana.


Os olhos sobem com os foguetes às alturas


que se abrem, rodopiam, desabrocham


em lágrimas azuis, cor do sol e vermelhas


ora a explodir ora a murchar como centelhas.




Já lá vem, já lá vem o Ano Novo!


Já lá vem um novo ano de mansinho!


Marcha o tempo, marcha a vida devagarinho.




Já lá vêm lembranças e amarguras,


novos pedidos aos céus iluminados.


Um bater de corações, um sonhar com a riqueza


envoltos em medo do porvir e incerteza.




Marcha o fogo para o fim… E emudece.


Na noite atroa o som de bater de palmas.


Já chegou, já chegou o Ano Novo,


já lá vai, já lá vai embora o povo.


É a vez da esperança renascer nas almas.


                                  


                                                         
Fina d’Armada

Dia Mundial da Paz