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domingo, 15 de abril de 2018

O Caminho




O Caminho

A mochila que carrego às costas,
não tem peso para mim
contém o necessário p`ro caminho
Com fé e esperança percorro
o bem, que vou rasgando em mim

Trago um alimento precioso,
o amor por mim e por ti,
que caminhas a meu lado
sem questionares,
o tempo que falta, para o fim.

O amor é assim,
até as pedras do caminho,
sorriem e mudam de cor,
mostrando em seguida,
um novo amor em mim.

Fernando Teixeira


quinta-feira, 12 de abril de 2018

Pátria Triste



PÁTRIA TRISTE  

Quase não oiço, mas sinto envolver-me um aterrador
Coro de bocejos da Pátria triste, sem ânimo
Nem força, a cair no marasmo e letargia.
Geme de miséria. Ergue-se a prece e a blasfémia.
É assustador!

Depois de tão demorada dança e festança,
Com os pés feridos de tão espinhosos caminhos,
Quase já não sustem o bordão...
Roto está o alforje... pouco é o pão.
Próximos, espreitam os abutres
À espera de sua morte, do seu morrer.
É de tremer!

Que venham depressa os castigos
Para esses pérfidos malfazejos
Responsáveis por tal padecer.
Quem nos pode valer?

Portugal terá de regressar ao normal.
Um País com pouca riqueza não pode viver,
Em contínuo festival e excessos de uns tantos,
Em banquetes e orgias, no captar de votos,
Porque o Estado não pode,
Nem deve, a tudo prover!
É fácil de perceber!

Se democracia séria for
Imporá, além de justiça, labor
Sem explorado nem explorador.
Para que vingue o reino do Amor!

Entretanto, agora o povo brada e blasfema
Pouco querendo saber do tempo passado,
Preocupado com o hoje, com o agora
E aterrado com o que será o amanhã,
Porque a miséria não se vai embora…
Deverá ir em boa-hora!

Bem se dispensaria tão estranha, arrasante
E mundanária fera, que não se queria,
E de que se não estava à espera!

Trilhaste perigosos caminhos
De fantasias e de trevas,
Portugal - e Mundo!
Bateste no fundo!

Eis o despertar trágico
E implacável dum sonho irreal.
Tudo o que parecia ser se desfez,
Até os pardais andam tristes…
São cada vez menos as migalhas.
Vamos enfrentar novas batalhas!

Só te enfureces com os de hoje?
Esqueces os outros? Não lhes ralhas,
Nem amaldiçoas?
A esses tudo perdoas?

Mundo igualmente cheio de tanto mal,
Ética deitada ao lixo,
Em nome do progresso e da democracia.
Irra. Quem tal diria…

Envolve-me o vento numa queixa
Que lança ao Grande Juíz:
- Que ignota maldição foi lançada ao meu País?

Sofre o povo gente de fibra e de raça
Dor dantesca imerecida, uma tamanha desdita
Provocada por quem não ouve a grita.
O povo já não cala agora seu orgulho ferido
Nem a dor e revolta que acumula no peito.
Olha para trás e vê seus sonhos
Boiarem num mar de saudade e desesperança.
Pelos vales ressoam ecos de plangência
De tantas lágrimas no silêncio choradas.
Sonho de terror! Porque não de Fadas?

Vamos agora, tu, eu e milhões
Iniciar implacável caça aos ladrões.

Desperta. Terminou a farsa, o festival.
Levanta-te, ergue-te, caminha povo;
És tu quem terá de reconstruir Portugal!


 João Coelho dos Santos




segunda-feira, 9 de abril de 2018

Fina D`Armada 9 Abril 1946 // 7 de Março 2014 (serás sempre uma voz na nossa lembrança)






Eu sou a voz







Eu sou a voz e o eco dum tempo novo
que renasce vibrante do fundo dos tempos.
Eu sou a voz do murmúrio dos pinhais
que bate nas urzes dos montes de Arga.
Sou a voz do vento que assobia nos prados
ondulando os milhos plantados em linha
e a erva para o gado que cresce em pauis.
Sou a voz do ralo, do grilo, sou a voz das aves
que quebram os silêncios de madrugadas azuis.
Sou a voz da água das fontes da Armada
cantando por regos entre erva não semeada.
Sou a voz que brama do mar por terras de Âncora,
a voz do oceano chamando barcos e vidas
que partem sem medo em busca de pão.
Eu sou a voz-natureza que nasceu do povo,
sou a voz da mulher que agora tem som,
eu sou a voz e o eco dum tempo novo


Fina D `Armada


In “Âncoras e Horizontes”, APPACDM, Braga, 1998




sábado, 7 de abril de 2018

A todos os Anjos deste mundo




No céu moldado, ninho de cristal

Ser reflexo da luz universal

Em passinhos miudinhos me arrimo

No colo fecundo dos seres do mundo


Ser doçura, ternura, alegria, consolo

Deixar esteira de estrelas no ósculo sagrado

Pelos lábios desenhado, em beijos recriado

Ser o teu próprio coração, de saber iluminado


Vê-te no meu olhar, na glória do teu Ser

Jazida de bem-querer à espera de nascer

Em efusão de amor, ser o vinho do Graal

Com Ele assumido, na Ceia da noite milenar


A todos os Anjos deste mundo, predilectos da Criação, 
e do meu coração



A.






sexta-feira, 6 de abril de 2018

Legado


LEGADO

Levo ao colo
um cordeiro de leite
e os punhos rebentados
da geada.
Levo às costas
braçadas de pressa
e um anjo ferido na asa.

Preciso de um carreiro
para chegar a casa.


Anabela Coelho




quarta-feira, 4 de abril de 2018

A Alma no Beijo



A Alma no Beijo

Como são ásperos os beijos de papel
Mais uma trivialidade na arena da vida
São feitos de arame farpado que isola
Sabem a distância não transposta
Exangues da seiva que dá a vida

O beijo é o selo de todas as alianças
A mais bela flor do nosso jardim
Com tantos e doces beijos confortou
Mirian os pés de seu amado Jesus
Com um beijo, o Cristo se cumpriu

Beijar com a alma é moldar
A omnipresente ternura da criação
Como a semente no bico dos pássaros
Semeia a prodigalidade por onde passa
Colheita, das bênçãos de Deus


A.




segunda-feira, 2 de abril de 2018

Reinvenção

Reinvenção


A vida só é possível
reinventada.

Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... - mais nada.

Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Só - no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva
fico: recebida e dada.

Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.

Cecília Meireles


sábado, 31 de março de 2018

Creio



Creio

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,
Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,
Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o amor tem asas de ouro. amém.


Natália Correia