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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

NAS MÃOS DO VENTO




Sou nas mãos do vento o que quiseres
o frágil ramo torcido, a erva trucidada
por pesadas patas, os malmequeres
desfolhados pela mão diabólica, pesada.

Sou um barco sem rumo nas procelas
um seixo branco rolando pelos rios
o xaile roto e preto das donzelas
a tapar os insuportáveis frios.

Sou o que for, tudo o possível,
pedreiro de mim próprio, e de paredes,
cauteleiro da sorte e do impossível,
tecedor de dúvidas, de angústias e de sedes…

Sou, no silêncio, uma certa ânsia
um vazio dos outros, um mar distante,
sempre à espera do longe e da distância
na busca efémera do instante…

Sou o que sou, tão vago, tão ausente,
tão cheio de sede e tão vazio!
No equilíbrio instável do presente,
Sou um barco parado em seco rio…


  António Alves Cardoso





quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Esvoaçar




Esvoaçar


Hoje, vou contar-vos um segredo ...
Eu gostava tanto de ser uma Borboleta!
Sim, daquelas muito coloridas,
que bate as asas pela manhãzinha
para se ir refrescar no orvalho das plantas
e depois, durante o dia, esvoaçar ao sol, de flor em flor.
As minhas preferidas são os malmequeres e as papoilas ... ah! e os girassóis!
Ficar pousada numa destas flores e deixar que o Sol me aqueça,
para voltar a voar, dançar com o vento,
assim, simplesmente ...


Anabela Queirós





terça-feira, 14 de novembro de 2017

Quando morre um poema



Quando morre um poema
A galáxia obscurece
O sol recolhe-se em luto
As estrelas apagam
O mar revolta-se
As nascentes secam

Um poema é renascer em vida
É sentir o vibrar da ínfima flor
Perceber o murmúrio da terra
Saber o que nunca se aprendeu
Viajar no colo da utopia
É o oxigénio do fogo na caverna

Um poema relança o coração
Na órbita da unificação
É razão da existência da alma
Da ceia e da multiplicação
É o roce de um beijo
Passageiro do eterno

Porquê se mata um poema?

Nina





segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Um mundo para além do meu
















Um mundo para além do meu

Porque….
… somos muito mais do que nós próprios
…somos parte do todo que nos rodeia
…somos percurso, o nosso.. mas também somos historia intemporal
…somos divino e parte da divindade, partícula do criador e energia em criação
…somos Amor e mesmo no sofrimento somos percurso para esse Amor
...somos 7 …somos cor
…somos 3 …somos índigo, azul e verde
…somos música…caos ou harmonia…presença ou ausência…
..somos luz …calor…riso e quietude , latência…gira, gira…somos amarelo e laranja e vermelho.
…somos água
…somos caos ,dor , escuro … terror e quietude, latência…permanência até dever estar
..e depois de novo centelha. ..somos Prana
ou somos parte desse mundo para além do meu
…somos violeta , somos Nirvana

Graça Amorim



quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Recordar António Ramos Rosa




Sem dizer o fogo — vou para ele. Sem enunciar as pedras, sei que as piso – duramente, são pedras e não são ervas.
O vento é fresco: sei que é vento, mas sabe-me a fresco ao mesmo tempo que a vento. Tudo o que eu sei, já lá está, mas não estão os meus passos e os meus braços. Por isso caminho, caminho porque há um intervalo entre tudo e eu, e nesse intervalo, caminho e descubro o meu caminho.

Mas entre mim e os meus passos há um intervalo também: então invento os meus passos e o meu próprio caminho. E com as palavras de vento e de pedra, invento o vento e as pedras, caminho um caminho de palavras.

Caminho um caminho de palavras
(porque me deram o sol)
e por esse caminho me ligo ao sol
e pelo sol me ligo a mim

E porque a noite não tem limites
alargo o dia e faço-me dia
e faço-me sol porque o sol existe

Mas a noite existe
e a palavra sabe-o.


António Ramos Rosa