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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Silêncio





SILÊNCIO   

Às vezes eu queria perceber
O que dizem os silêncios
Por vezes raiva, por  vezes dores
Ou um sinal de não valer a pena…

Sim, por vezes, eu só queria saber
O que em gestos não se sabe
Se são águas, se são ondas
Ou de que são feitas as palavras…

Por vezes, talvez até nem digam nada
Ou então dizem tudo e não sabemos.
Ah! Gostava de saber de que são feitos
Os silêncios demorados dos teus olhos…

Às vezes, sei. Por vezes, não.
E no entanto, só a tentativa de encontrar-te
Talvez já seja algum caminho
Oculto entre os silêncios
E só visíveis aos olhos de quem busca… 


A. Alves Cardoso 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

RE_Começar - Maria Adelina - Recomeços


RE_ Começar

Há gente onde a ternura chega
e a reflecte como água límpida
palavras agregadas na mesma barca
que vogam rio abaixo como mensageiros de paz

Outros há que afundam velas e veleiros
meteoros perdidos na espiral da vida
no destino que os gravita, em queda
crateras, leitos de rio… quiçá um dia

Há os que desenho em traço largo
quanto mais largo mais fundo
deuses inventados
baixo-relevo na alma inquieta
e as tempestades lavam o barro
tapam ruínas destapam horizontes
e há o tempo,  
apagador da lousa da vida

Porque há sempre um recomeço
Na dança entre a onda e a maré
Na paisagem oculta por um sol moribundo
Nas páginas de um livro esquecido
No sorriso, retribuído,
aos olhos que me lêem


Maria Adelina


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Três Poemas de Amor - Recomeços



TRÊS POEMAS DE AMOR

Fazer amor
Dizem
Como se o amor se fizesse
O amor é espontâneo
Nasce
Cresce
E como fogo
Também ele floresce
Às vezes dá frutos
E por vezes
Qual vento norte
Morre cedo
E desaparece.


II
Meus poemas
Eu os ponho
Na tuas mãos.
Não são palavras
São lábios
São vento
Súplicas doces
Lamento
Amor
Como deserto
Sem água, sem rosas
Sem pão.


III
Dádiva de dar
Dádiva de receber
O amor
De amar
O amor
De ter
Gostar de mar
Se o entender.


JOAQUM CASTILHO




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Recomeço - António Alves Cardoso - Recomeços





RECOMEÇO

Solta as tuas lágrimas, abre-me
As vísceras
E afoga-me no lago dos queixumes…

Eu sei que a dor é amarga
Eu sei que a dor é funda
Mas há de haver em algum lado
Uma janela que dê para a fraternidade dos dias
Como maçãs poisadas nos parapeitos das janelas.

Por vezes, a solidão enche a casa toda
E esmaga as flores que querem
Rebentar do solo quente e fértil da memória...

Mas há sempre uma espada,
Há sempre um estilete
Que perfure as paredes que nos cercam
E desenhem janelas
E desenhem portas
Onde antes só havia muros…

Dá-me as tuas dores
Que eu farei delas
Um bouquet de flores
E de esperança…

A. Alves Cardoso. 


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

ENSINA-ME! - Aida Duarte - Recomeços





  
       Ensina-me a dizer-te
         que o meu olhar espantado leva no brilho uma flor.

         Ensina-me a  entregar-te
         esta flor da minha vida que floriu algures por ti.

         Ensina-me a  fazer-te
         aceitar este jasmim que exala aromas de nós.

         Ensina-me a falar-te,
         entre jasmins e roseiras que me levam para ti.

         Ensina-me a lembrar-te
         essa flor, esse perfume que, ao de leve, nos tocou.

         Ensina-me a fazer-te
         escutar  este silêncio que a emoção fechou em nós.

         Ensina-me a levar-te
         a doçura das palavras que tenho presas em mim.

         Ensina-me!



        Maria Aida Araújo Duarte
        


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Recomeços - Vera Rocha - Recomeços




Recomeços

Saberás só quando mergulhares nesse mar, enterrares todos os dedos dos teus pés na imensa areia fria e sentires o que nunca deixaste de ser;

Só quando tirares um momento dos teus dias atarefados para olhar a eternidade que conta o azul-escuro do céu, quando anoitece. A eternidade... E talvez uma lágrima role sobre tua face porque tudo o que conheces, tudo o que apalpas é mortal. E imaginar, conceber e reconhecer que existe eternidade é mais belo do que quase todas as coisas que existem, menos talvez a existência do Amor; 

Só quando parares e perceberes qual é o cheiro da tua pele, o cheiro de quem tu és, o cheiro da rua que te viu crescer e das que invadiste quando já eras crescido e que agora, também, são as tuas ruas. O cheiro das pessoas que amas, de tudo aquilo que alguma vez pôde significar alguma coisa para ti que o ruído do tempo não apagasse; 

Só quando disseres a tua oração baixinho, debaixo dos cobertores e, nesse preciso momento, sentires que és capaz de todas as coisas que alguma vez imaginaste. Que tudo o que imaginas é tudo o que existe em ti, é vida como é a realidade porque existe no sítio mais resguardado do teu ser;

Só quando ouvires como é inexplicavelmente belo o som da água a cair quando chove e quando passas numa fonte... tão belo que consegue fazer-te esquecer todos os males do mundo, por uns momentos de paz. E a paz és tu que a encontras, que a perdes que a tentas guardar quando ela quer fugir e que, sem saber, a afugentas quando ela quer é ser uma das tuas grandes amigas; 

Só quando perceberes os teus silêncios, só quando os teus silêncios forem maiores do que todo o barulho do mundo!

Saberás só quando recomeçares e mergulhares nesse mar...

Vera Rocha


domingo, 19 de fevereiro de 2017

Recomeços - Jorge Almeida - Recomeços







Recomeços

Querida mãe, do teu inconfundível sorriso,
caminha a minha memória nostálgica,
que desperta a recordação do meu primeiro sopro de vida.

Na companhia das estrelas, que se vislumbram na melodia do Tempo,
sou o apego da matéria esquecida dos teus antepassados.
Guardo a tua voz velada, abrigada nos encantos e recantos da alvorada húmida,
 para acolher e preservar a inocência da alma que me veste.

Grito , contrastado na ira de saber da morte que me espera:
Vem e faz-me recordar a fragrância do teu perfume que me enlouquece desde da primeira vez que toquei no teu peito],
Eu estou aqui! Abraça-me, mãe... peço-te..., porque do teu afago deixarei de acreditar dos sonhos fingidos que me atormentam],
Libertar-me deste sofrimento sem dor! O meu corpo sucumbido de uma alma cansada, não quer mais do que reencontrar a essência do teu perdão].

Um dia, havemos de passar pela Ponte dos Suspiros, debaixo da luz mortiça do luar envergonhado. Ensinar-nos-emos que o recomeço da vida começa sempre pela inocência entre as sombras do esquecimento.

Guardo comigo o teu Cântico Celestial, proferido pelos teus lábios que declama as palavras que outrora foram esquecidas:“ Tu és o que sempre fui, meu filho: a centelha do Universo.”

Jorge Poeta

Janeiro 2017

Recomeçar - Manuela Graça - Recomeços



Recomeçar

E porque a roda gira sem parar
de norte a sul de leste a mar
vieram ventos   marés
a onda-mestra
vieram pessoas
palavras   gritos   vozes
vieram gestos 
e muitas muitas horas

E o cansaço
e a noite sem luar

Mas amanhã
ah   amanhã 
há sempre em nós  RECOMEÇAR  ! 


(Manu )
Manuela Graça


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Quando já eras meu - Linda Maria Fernandes - Recomeços


Quando já eras meu

Quando tu já eras meu
e eu ainda não sabia
que amar para além de tudo
era o que mais queria
arrastava os pés no teu caminho
mas não te via
ainda que o teu perfume
se cruzasse com o meu
pelas ruas onde o vento
soprava rajadas
dum amor há muito guardado

E quando o relógio parou
para que os sinos batessem
anunciando quem éramos
todas as horas começaram
a vestir-se de magia
e as borboletas voaram
como se a Primavera
tivesse de novo voltado
com as andorinhas
passeando de mãos dadas.


MIA (Linda Maria Fernandes)


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Recomeços - José Luís Bastos - Recomeços



Recomeços

Por entre pensamentos, palavras actos e omissões
Dei o meu corpo pela alma em tamanhas agitações

Na ganância de tudo querer ter
Ao mundo pertenci, deixando de Ser

Aqui e ali, a espaços me contento
Na grande ilusão do espaço e do tempo

Isto é uma guerra com grandes façanhas
Sendo a maior a que se trava nas minhas entranhas

Perdido por cem, perdido por mil
Desisti de mim para me juntar ao covil

Só há pouco descobri que dessa ilusão
Se ergueram os mais altos muros da minha prisão

Afinal quem sou eu para julgar alguém
Quando contra mim pequei como ninguém

Ficamos tristes, desiludidos por não termos sido correspondidos
Porém não passaram de episódios mal entendidos

Ó tempo que vais e não voltas, o quanto perdi
Em viver esse tempo na amargura do que não senti

Resta-me o tempo do tempo que sobra
Para fazer o que importa que se encontra na obra

Que bom que é desvendar este jogo
Da perda e reencontro no meu eterno fogo

Da Luz vim, para a Luz quero voltar
Percorrendo o abençoado caminho para lá chegar

Só sei o que sei pelo que vivi
Sabedoria aqui não entrou a não ser pelo que senti

E assim fui aprendendo com grande fervor
Que quem não vai pelo Amor vai pela dor

E o que é o Amor senão a Eterna Sabedoria
E a dor a ignorância duma vida mal preenchida

E agora que talvez já saiba como caminhar
Pois a Paz a mim veio ter para me ensinar a andar

Alguém disse que o caminho se faz caminhando
Mais proveitoso outro não há que pela Paz ensinando

Na incessante busca de ser amado
Pensando que aí reside a felicidade, ó quanto estive enganado

A felicidade não pode ser comprada
Só através da virtude pode ser alcançada

Pois a verdadeira felicidade está em cumprir
O que me foi destinado para amar e servir

Servir desinteressadamente
Para crescer edificantemente

Amar sem condição
Para alcançar o perdão

Porque é amando que somos amados
E é perdoando que somos perdoados

Outrora a casa foi-se com a areia
Mas a da rocha, de pé, mantém-se cheia

Pois é preciso morrer
Para de novo nascer

É tempo de não deixar passar a carruagem
Da nova consciência alerta para a viragem

Um novo Homem, um novo mundo
Com Paz do topo ao fundo

Como o Mestre nos ensina
Que a Paz Seja convosco
E a obra nos possibilita
Que a Paz Seja connosco

A Paz É o Caminho
Para o Amor Incondicional
Que a todos nos une com o carinho
Do Divino e Eterno Silêncio Universal

Saibamos então que cada oportunidade é um recomeço
E que depressa ou devagarinho
A Paz É o Caminho!


JLB


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Recomeço - Sílvia Aguiar - Recomeços



Recomeço

Sem motivo nem vontade
Para quê um recomeço?
Da vida nada mais quero,
Nem tempo, eu reconheço.
Recomeçar nova vida
E não sentir sofrimento?
Como viver, dia após dia,
Sem reclamar minha dor?
Deitar fora as memórias,
Destruir as recordações?
Tudo é tão assustador…

Recomeçar a viver,
Abrir portas e janelas,
Viajar por esse mundo,
Aprender, mais uma vez
Em total embriaguez…
Conhecer novos lugares,
Novas gentes, outros mares
E nunca deixar de sonhar.

Longa viagem me espera,
Eu tenho um sonho na alma,
Enchi de Fé meu coração
E levo esperança na mala.


 Sílvia Aguiar


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Novo Ciclo - Celeste Pacheco - Recomeços



Novo ciclo

De vida cortada
Saia rasgada
Parto
Saio ao caminho
Choro mansinho
O peito em brasa
Sigo
Arrasto a caruma
Afago-me na bruma
Deixo a noite cair
E à beira do rio
Nem vento nem frio
adormeço em mim
Quando o sol despertou
Todo o meu ser vibrou
E sem me dar conta
Novo ciclo nasceu
O trigo cresceu

Nova vida desponta!


Celeste Maria Pacheco


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Saudações


Caríssimos Amigos


Enviamos os nossos agradecimentos aos que ontem estiveram presentes no recomeço das "Manhãs de Poesia".
Manhã fria e chuvosa que clareou, e se deslumbrou, com o calor que emanou dos poetas, os que escrevem, os que lêem, os que sentem, a arte da transmutação de sentimentos em palavras, ou seja a Poesia.

Nos próximos dias e através deste nosso blogue publicaremos os poemas enviados para a mostra de poesia "Recomeços", um cada dia para os podermos saborear e apreciar.

Bem-hajam, e muita poesia na vida de todos nós





sábado, 11 de fevereiro de 2017

Talismã -

De mãos abertas



De mãos abertas

Se eu pudesse,
Tocava o teu rosto em silêncio
E falava-te do mar,
Deixava tombar os meus cabelos
Sobre o teu ombro
Como uma bênção
E fechava os olhos
Consciente de ser em ti
Como um salgueiro.


Ana Brilha


Guardarás numa caixinha



Guardarás numa caixinha
o que não fiz por ti,
a mão que não chegou à sobrancelha
que nem aflorou,
o beijo repetido nas palavras
sem que o tacto
o multiplicasse qual se desejava.
Nessa caixa de nada
não tardará depois
a não estares só tu,
a não estar só eu,
a não estarmos os dois.



Pedro Tamen