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terça-feira, 29 de julho de 2014

Ria de Aveiro



Ria de Aveiro

Toda a ria canta nas asas divinas de um pássaro
Que leva no bico o coração de um povo
Entrançado de moliço e apelo de maresia

Em tuas límpidas águas meus olhos se banham
Quando o Sol se esconde por entre os canais
E a brisa serena, nos conduz de novo ao cais



Virgínia Bastardo


domingo, 20 de julho de 2014

Ao Poeta, ao Pedagogo a nossa homenagem

Disseste tudo ao dizer:
Quando a ausência de mim
Fizer presença em meu ser,
Visitarei a mim mesmo,
Para não me afastar de você.

Quando o peso do dever
Em mim soterrar a alma
Entre os escombros da vida,
Quero flutuar qual pluma
Na leve brisa da calma.

Quando o dizer tiver o poder
De revelar o que não quero,
Paro a pluma, guardo a voz,
Me rebelo no silêncio
Para me manter sincero.

Antes da noção do certo
Se revelar um engano,
Saio do cotidiano:
Adentro em outras rotinas,
Noutros mares vou pescar.

Não quero porto seguro,
Só âncora, vela e mar.
Âncora para ser meu porto,
Vela para me levar,
Mar para, no litoral,
As minhas ondas quebrar.



Rubem Alves


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Dead Can Dance - All in Good Time [Legendado]




Tudo a seu Tempo




Todos os seus navios

Deixaram seus ancoradouros

À deriva

No Mar dos Sargaços

Esperando pelo vento

Para libertar suas velas



Quando você alcançar

O fim do seu arco-íris

Perseguindo sombras

E à mercê da própria sorte

Procure o sinal

Procure por um sinal



Enquanto você ascende ao cume

De sua montanha

Apenas lembre-se daquelas

Pobres almas perdidas

Em seu caminho para baixo



Você me ensinou que paciência

Era uma virtude

Eu levei meu tempo

Deixe a natureza prosseguir seu curso

Tudo foi revelado

Tudo a seu tempo



Atrase seus relógios

Abra as suas memórias

Sob o véu

Onde o tempo pára

Você me mostrou um sinal

Você me mostrou o sinal



terça-feira, 15 de julho de 2014

Alma Serena 

Alma serena, a consciência pura, 
assim eu quero a vida que me resta. 
Saudade não é dor nem amargura, 
dilui-se ao longe a derradeira festa. 

Não me tentam as rotas da aventura, 
agora sei que a minha estrada é esta: 
difícil de subir, áspera e dura, 
mas branca a urze, de oiro puro a giesta. 

Assim meu canto fácil de entender, 
como chuva a cair, planta a nascer, 
como raiz na terra, água corrente. 

Tão fácil o difícil verso obscuro! 
Eu não canto, porém, atrás dum muro, 
eu canto ao sol e para toda a gente. 

Fernanda de Castro, in "Ronda das Horas Lentas"

sábado, 12 de julho de 2014

Aniversário do imortal Pablo Neruda



Para não Deixar de Amar-te Nunca

Saberás que não te amo e que te amo
pois que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem a sua metade de frio.

Amo-te para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Amo-te e não te amo como se tivesse
nas minhas mãos a chave da felicidade
e um incerto destino infeliz.

O meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.



Pablo Neruda



Manhãs de Poesia - 13 de Julho