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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Fusão


Como um quadro inacabado semicerro os olhos para te olhar

Ângulo, luz, sob tantos padrões busco enquadrar este amar

Sim!...porque este amar…não é um amar qualquer…

Tela tingida de dourado e rubi em fundo cor de lua

Tormenta, que alimenta as nascentes das montanhas

Semente que o vento fortalece e fecunda, assim como

Átomos seculares, em fusão, geradores de evolução


Maria Adelina


quinta-feira, 23 de janeiro de 2014


Quanta graça num só dia
Procurei eternizar a beleza deste dia
sintonizar minha alma com a natureza
na luta serena em que o céu se debatia
A chuva rendeu-se, o vento adormeceu
no frio entorpecente que o Sol desvanecia…
Abri o meu ser a cada coração que aqui poisa o seu olhar
Deixei correr a torrente de lava dourada na cor, com sabor a amor, que completa o retrato falado do quadro inacabado deste dia abençoado.
E os sorrisos que agora emitis, pontilham de luz o firmamento, quais estrelas bordadas no manto celeste
Serena vibração, cujo som ecoa…
Paz, Paz, Paz


Maria Adelina



sábado, 18 de janeiro de 2014

ADEUS - Miguel Torga

É um adeus...
Não vale a pena sofismar a hora!
É tarde nos meus olhos e nos teus...
Agora,
O remédio é partir discretamente,
Sem palavras,
Sem lágrimas,
Sem gestos.
De que servem lamentos e protestos
Contra o destino?
Cego assassino
A que nenhum poder
Limita a crueldade,
Só o pode vencer a humanidade
Da nossa lucidez desencantada.
Antes da iniquidade
,
Um poema de líquido pudor,
Um sorriso de amor,
E mais nada.

Miguel Torga

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Meu Pinheirinho Verde

Caros amigos da poesia, temos hoje um presente especial da conceituada historiadora e poetisa Dra. Fina D`Armada que nos honra com o seu mais recente poema.


MEU PINHEIRINHO VERDE

 

Meu pinheirinho verde, verdadeiro,
que todos os natais os seres tu encantas.
Que lindos são os teus ramos enfeitados
e com presépios de figuras santas!

Quem pôs em mim ardentemente este anseio
que todos os dias no percurso da vida
sejas verde, harmonia, paz, esperança,
luz e cor, brinquedo, fita estrelada,
espírito de abraço, prenda enlaçada
e não sejas como a vida que surge e se esvai?

Quem me deu ardentemente esta vontade,
meu pinheirinho verde,
de querer que perdures todo o ano a encantar
e não me deu poder para te transformar?

Não ligues, meu pinheirinho verde,
ao meu anseio que mansamente se vai desmoronando
e dá esperança ao mundo, ao menos, de vez em quando.

 

            Fina d’Armada - 31.12.2013.

                        (Para que não digam que não voltei a escrever em 2013)