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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

11 Minutos porquê?





Poema/resposta ao livro de Paulo Coelho  com o título “11 Minutos” em que este afirma que o tempo médio de uma relação sexual é 11 minutos

11 Minutos porquê?

Pergunto eu, e muitos outros com certeza!
Quem conhece a ansiedade da espera,
Da contagem dos dias, das horas,
Do calcular os quilómetros...
Onde estará agora?
Será que o trânsito flúi bem? Será que o carro sobreaqueceu?
Será que se enganou na estrada apesar do mapa que lhe ofereceu?
Será que se arrependeu?
Será que  adormeceu?
Ei-la que chega! Que alegria brota do coração
quando por fim a vê chegar
Sorri quando quer rir... gritar... mas pode parecer mal...
Olham-se, e os olhos falam, riem, desejam, penetram;
Entram, fecha-se a porta, a mala das mãos se solta,
E quatro braços envolvem-se num abraço
Num laço profundo, forte, quente…
Atropelam-se nas palavras,
Olham-se
E voltam a abraçar-se...
Apartam os corpos, mas só o suficiente
Para suas bocas se encontrarem, não é preciso falar...
A ânsia do beijar, do sentir, é tão grande quanto a do olhar:
Em que mudou? .............................
Acabam por apenas pronunciar, “olá”
Ele dá-lhe a mão e murmura.... vem .....................
Percorrem os poucos metros que os separam do quarto
Mão na mão, num entrelaçar que seria impossível separar
De novo o abraço sem nexo de tanto querer tocar.....
Mas ao separar.....Já as roupas vêm juntas e ao chão vão parar.
E tal qual as mãos, os corpos se juntam
Num entrelaçar, que seria impossível separar................
E os minutos passam num arrepiar,
11 minutos? Não deram pelo tempo passar.....
Entre tormentas, acalmias, turbilhões, sensações supremas,
sem limites nem condições, entre risos, olhares,
fluxos que a jorros dos seus corpos brotam,
em contínuo, sem parar …11 horas acabam por passar
O cansaço os corpos invade, mas não limita o desejo
Adormecem um no outro,
Num entrelaçar, que seria impossível separar
11 Minutos, disse alguém? Alguém me pode explicar?



Miguel Martins




sábado, 21 de outubro de 2017

Se os Poetas Dessem as Mãos

  


Se os Poetas dessem as mãos e fechassem o Mundo no grande abraço da Poesia, cairiam as grades das prisões que nos tolhem os passos, os arames farpados que nos rasgam os sonhos, os muros de silêncio, as muralhas da cólera e do ódio, as barreiras do medo, e o Dia, como um pássaro liberto, desdobraria enfim as asas sobre a Noite dos homens. 
Se os Poetas dessem as mãos e fechassem o Mundo, no grande abraço da Poesia. 


Fernanda de Castro, in "Ronda das Horas Lentas"




quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Almas em Contramão



Que maculam os primórdios
Da sua génese e constelação
Afundam velas e veleiros
Caçoam do bem que as sustém
Do divino reflexo que as alumia

Com requinte estilhaçam o braço que as
abalança no frágil arame do seu equilíbrio
Meteoros perdidos na espiral da vida
Moldam ódios, geram penas, destilam ácido
Que corrói as correntes que as elevam

Sentam-se no trono do efémero mundi_ser
Assente nos escombros sem causa
Desnecessários, que cultivam pelo prazer
De se sentirem autores de seus infernos
Rotas, em desafio a Deus


Nina




Vinicius nasceu há 104 anos - Parabéns Poeta

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Poema para Deus


Poema para Deus

Não te engano, nem me engano
Sou imagem reflectida da tua inquietude
Só, na força centrípeta que nos une
Traço horizontes que te motivem

Escorro da lembrança quando te conheci
As lágrimas sem fim dos ciclos de dor
Quiçá, cálice sagrado de cada vida em flor
Pérolas do rosário que desfias

Pergunto-me que te dei do que nada te devo
E quanto me deste do muito que prometes
Nesta simples equação encontrei-te de novo
Quando me disseste: és braço da minha libertação

Voltei a encontrar-te, lembras?
Naquela tarde distante em que te confrontei
Com as armas com que me equipaste
Moldei-as em fogo, delas fiz bordão de peregrinação

Recrio em tudo prece e oração
Em sentir de profunda compaixão
Para colmatar tua inquietude e solidão
Deus, meu companheiro de peregrinação


Maria Adelina


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Adorava



Adorava estar contigo
Num castelo muito antigo
Deixando correr boatos
De fantasmas e guerreiros
Abraçados com ternura
E num castelo algures sombrio
Levar o sol dos teus olhos
E o calor das nossas mãos
Para uma posteridade histórica
Enquanto
Fadas e duendes espreitam pelas ameias


Manuela Graça, a nossa pintora/poeta

domingo, 15 de outubro de 2017

AZUL




AZUL

Eu bebo o azul 
Como quem saboreia 
as chuvas de verão
e vou no voo sereno das gaivotas…
A minha humanidade
é igual à humanidade dos outros
Talvez mais sofrida
talvez mais aguda 
Mas somos todos irmãos
Somos todos gaivotas
E ondas 
E mar 
E sargaços
E dor 
E silêncio 
Somos todos silêncio 
E caminhamos 
Descalços
No fio da navalha
Em busca do azul… 


A. Alves Cardoso 


sábado, 14 de outubro de 2017

As Palavras




As Palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade 

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Alma Serena




Alma Serena

Alma serena, a consciência pura,
assim eu quero a vida que me resta.
Saudade não é dor nem amargura,
dilui-se ao longe a derradeira festa.

Não me tentam as rotas da aventura,
agora sei que a minha estrada é esta:
difícil de subir, áspera e dura,
mas branca a urze, de oiro puro a giesta.

Assim meu canto fácil de entender,
como chuva a cair, planta a nascer,
como raiz na terra, água corrente.

Tão fácil o difícil verso obscuro!
Eu não canto, porém, atrás dum muro,
eu canto ao sol e para toda a gente.

Fernanda de Castro


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A Terra Exerce a sua Justiça (basta olhar o que se passa no mundo)





Memória da Terra


Não precisamos contemplar a chuva
Inverteram-se as posições
Agora é ela que nos contempla

Ergueram-se os olhos da terra

Que de cima verte sobre nós
O pranto ora cascateado ora intenso
De gotas transbordantes de pena

Das penas que colhem dos homens
Que laboram impregnados de ais
E amam, em leitos secos de amor

Dividem a terra em quarteirões
Torturam seu rosto com arame farpado
Carimbam papéis…a que chamam seus quinhões

As lágrimas abrandam pra seus olhos clarearem

Ela precisa ver com mais nitidez os insanos seres
Que constroem com orgulho suas prisões 
Onde se barricam com medos e provisões

Assentam sua história em quantos guerrearam
E os que mais matam…tornam-se heróis
A terra exerce sua justiça

Pela água, sua memória 
Pelo fogo, sua indignação


A.




segunda-feira, 9 de outubro de 2017

E foi sim!




Uma manhã cheia, que imprimiu na alma dos presentes a linguagem do amor e da autenticidade que é a Poesia.
Que nos recordou quem somos e o poder da nossa Visão quando a ela nos entregamos.
Uma homenagem a alguns dos maiores "visionários" da nossa história e de quanto essas visões nos indicam que, está na hora!
Poetas Vivó`s Poetas agradece todas as expressões poéticas e principalmente à Fátima Araújo pela dádiva que é sempre ouvir este poema na sua maravilhosa voz (algum dia, Fatinha, havemos de conseguir forma de gravá-lo sem ruídos, e com a qualidade que a tua voz merece, e o poema também)


Poesia rima com Gratidão - Até sempre


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Arte e Poesia no contexto Visionário


Lembramos que já está a decorrer a exposição da pintora Manuela Graça cujas obras absorvem a nossa imaginação e ampliam a nossa Visão.

Lembramos ainda que no próximo domingo às 10h  celebraremos o término da exposição com muita e boa Poesia que pelas vozes expressa, a dimensão de cada coração


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Aprender o alfabeto do bem-querer






Aprender o alfabeto do bem-querer

Ver a minha janela da janela d`outro ser
Como quem abre os braços ao presente
Que o passado cumulou de tanto saber
Tesouro guardado nas grutas do tempo
Bálsamo precioso, frutuoso, fecundo

Aprender o alfabeto do bem-querer

No pretérito perfeito do verbo amar
Razão e coração aprendem a rimar
Estrofes nunca antes conjugadas
Vida, ausência, luz, senda, poema
Que é preciso saber declamar

Como é bom, aprender o alfabeto do bem-querer


A.





domingo, 1 de outubro de 2017

Dia Mundial da Música - Homenagem aos músicos de todos os tempos



Música e Poesia

Música e Poesia são irmanadas num só tom,
o sincopado do coração

Poesia, tem muito mais a ver 
com música que com escrita

Música, é o próprio som do
eterno que nos embala

Poesia, é a radiância cósmica que
se expressa em hieróglifos cíclicos

Música , é a ressonância dos muitos risos  de Deus
Poesia é amor incontido, fluido, que o coração deixa escapar

Poesia e Música, são verso entoado, 
pauta sem tempo, na contra-dança do Céu


Maria Adelina



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

RISO




RISO

Preciso tanto de risos!
Quero roubá-los das bocas
Do silêncio das almas sãs
Quero tocar nos pensamentos
Translúcidos voam com o vento
Quero sentir as melodias
Feitas de encantamento e riso
Quero as estrelas dos olhares
Que brilham e riem em comunhão
Quero até os restos de ternura
Porque a ternura tem riso
E o riso afasta-me da solidão.
           

            Anabela Coelho


quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Sátira aos HOMENS - António Lobo Antunes



















....Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer
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António Lobo Antunes - Sátira aos HOMENS quando estão com gripe

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Sabe o que a poesia faz ao seu Cérebro? Um imenso bem...






Sabe o que a poesia faz ao seu Cérebro?

Por Jennifer Delgado Suárez

Poesia são dardos em forma de palavras que vão directo para a parte mais emocional do nosso cérebro. Há poemas que despertam um tsunami emotivo real e nos arrepiam, como “A Primeira Elegia”, de Rainer Maria Rilke, cujos versos dizem:

“A beleza é nada mais que o princípio do terrível,
Aquilo que somos apenas capazes de suportar,
Aquilo que admiramos porque serenamente deseja nos destruir,
Todo anjo é terrível. ”

Rilke descreveu o terror que sentimos quando adquirimos um conhecimento mais amplo, o momento em que ficamos mais conscientes de nossas limitações e da complexidade do mundo, e percebemos tudo o que não entendemos, conscientes daquilo que nunca iremos compreender. É uma possibilidade bela e sedutora, mas também muito assustadora.
A poesia tem a capacidade de enviar poderosas mensagens emocionais e activar a reflexão, ainda que seja certo dizer que o maior prazer que sentimos ao ler um poema, como quando desfrutamos de uma obra de arte, não provém de uma reflexão profunda, mas de sensações que nós experimentamos. Na verdade, Vladimir Nabokov disse que não se deve ler com o coração ou com o cérebro, mas com o corpo.
Pesquisadores do Instituto Max Planck de Estética Empírica se propuseram a explorar mais a fundo as influências da poesia em nosso cérebro, e os resultados de seu estudo são fascinantes.
A poesia gera mais prazer, a nível cerebral, que a música.
Pesquisadores pediram a um grupo de pessoas, alguns liam poesia com frequência, para ouvir poemas lidos em voz alta. Alguns dos poemas pertenciam a conhecidos poetas alemães como Friedrich Schiller, Theodor Fontane e Otto Ernst, apesar de que foi dada a opção para os participantes escolherem algumas obras, incluindo autores como William Shakespeare, Johann Wolfgang von Goethe, Friedrich Nietzsche, Edgar Allan Poe, Paul Celan e Rilke.
Enquanto os voluntários escutavam os poemas, os pesquisadores registravam o ritmo cardíaco, expressões faciais e até mesmo os movimentos dos pelos sobre a pele. Além disso, quando as pessoas sentiam um arrepio, elas eram instruídas a avisar, pressionando um botão.
Curiosamente, todas as pessoas, mesmo aquelas que não tinham costume de ler poesia, relatavam calafrios em algum momento durante e leitura, 40% sentiram arrepios várias vezes. Estas são respostas similares àquelas que experimentamos quando escutamos música ou assistimos a uma cena de um filme que gera grande ressonância emocional.
No entanto, as respostas neurológicas estimuladas pela poesia eram únicas. Os dados mostraram que ao tomar contacto com os poemas, partes do cérebro usualmente desactivadas quando expostas ao estímulo de filmes e música foram despertadas.
Os neurocientistas descobriram que a poesia cria um estado que chamaram de “pré-relaxamento”; ou seja, que provoca uma reacção de prazer gradativo a cada estrofe escutada. Na prática, ao invés da emoção nos invadir repentinamente, como quando escutamos uma canção, a poesia gera um crescendo emocional que começa até 4,5 segundos antes de sentirmos o arrepio.
Curiosamente, esses picos emocionais ocorriam especificamente em trechos dos versos, como no final das estrofes e, acima de tudo, no final da poesia. É uma descoberta muito interessante, especialmente considerando-se que 77% dos participantes que nunca tinha escutado um poema também mostraram as mesmas reacções e sinais neurológicos que antecipavam os focos emocionais da leitura.
A poesia estimula a memória, facilita a introspecção e nos relaxa.
Neurocientistas da Universidade de Exeter escanearam os cérebros de um grupo de participantes enquanto liam conteúdos diferentes, desde um manual de instalação de ar-condicionado, passando por diálogos de novela, até sonetos e poemas.
Estes pesquisadores descobriram que o nosso cérebro processa a poesia de forma diferente que a prosa. É activada uma “rede de leitura” peculiar que abraça diferentes áreas, entre elas, aquelas responsáveis pelo processamento emocional, activadas fundamentalmente pela música.
Eles também perceberam que a poesia estimula áreas do cérebro associadas com a memória, como o córtex cingulado posterior e o lobo temporal médio, áreas que são despertadas quando estamos relaxados, ou introspectivos.
Isto demonstra que existe algo muito especial na estrutura do texto poético que gera prazer. Na verdade, a poesia é uma expressão literária muito especial que transmite sentimentos, pensamentos e ideias, praticando síntese métrica, trabalhando rimas e aliteração.
Portanto, é óptimo para o nosso cérebro inserir um poema por dia em nossa rotina.




Ria de Aveiro













Ria de Aveiro

Toda a ria canta nas asas divinas de um pássaro
Que leva no bico o coração de um povo
Entrançado de moliço e apelo de maresia

Em tuas límpidas águas meus olhos se banham
Quando o Sol se esconde por entre os canais
E a brisa serena, nos conduz de novo ao cais



Virgínia Bastardo


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Mercedes Sosa - Honrar la vida



Não! Permanecer e deixar andar
Não, perdurar não é existir
Nem honrar a vida

Há tantas maneiras de não ser
Tanta consciência sem saber
Adormecida

Merecer a vida não é calar e permitir
Tantas injustiças repetidas
É uma virtude, é dignidade
E é a atitude de identidade
Mais definida

Isso de durar e deixar andar
Não nos dá o direito de presumir
Porque não é o mesmo que viver
Honrar a vida

Não! Permanecer e deixar andar
Nem sempre quer dizer
Honrar a vida!

Há tanta pequena vaidade
Na nossa tonta humanidade
Que está cega

Merecer a vida é erguer-se na vertical
Mais além do mal e das quedas
É igual que dar à verdade
E à nossa própria liberdade
As boas-vindas

Isso de durar e deixar andar
Não nos dá o direito de presumir
Porque não é o mesmo que viver

Honrar a vida