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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Poesia aosa molhos - Teresa Queirós Ferreira


 

De mansinho…

Como uma onda que chega de mansinho

apareces no papel…

E eu, que queria tanto

esconder-te nos versos do poema

deixo-te fugir!

E fica o poema sem versos

e sem ti…

 

Chá de demorar a tarde

 

Eu esperava-te no meu chá

e quando chegavas

ao aroma dos frutos silvestres

juntávamos os beijos

que bebíamos a colherinhas

para demorar a tarde…

 

Despedida

 

Ali naquele canto de mar

onde bebo horizontes

e guardo o azul

que ao desfazer-se em espuma

me mostra o teu nome…

Vejo passar a andorinha

que leva o verão para longe…

O verão que acaba sem ti!
 
Teresa Queirós  Ferreira
 
 
 

 

Abençoo


Abençoo


Passos oscilantes de peregrino, asas de borboleta que teme voar

Asteroide, Cometa, Meteoro?... Estrela... da constelação a mais bela

Repara no Céu, quão profundo, nada mudou, apenas... o teu olhar

Aspiras o aroma inebriante da árvore que abanaste ao passar

Escutas a prece em jeito de beijo que te purifica e enaltece

Sentes a chama sagrada deste coração que te acalenta

E em tudo, eu estou sem estar, eu sou sem ser...

E abençoo...

Os braços que te abraçam

A luz dos olhos que iluminam os teus

Os dias felizes que formam as linhas do teu rosto

E os anseios de que fazes sonhos, ameias de outros castelos

Pendores de outros torneios...

Cavaleiro do meu templo Sol da minha Alma

nunca deixes de brilhar, ainda que esse alumiar,

seja luz de outra Alma, que não a minha...



Maria Adelina



sexta-feira, 18 de outubro de 2013

No paraíso dos sonhos




Em voltejar de asas voei, imitei suspiros e passos serenos

Atravessei o lago do sono, leito de rosas cheirando a luar

O acordar tardava…

Procurava encontrar a estrada dos sentidos


Na cascata de brilho e cor, reconheci teu olhar

Por teu aroma de sândalo guiei meu caminhar

Coração em chama viva, tocha que ilumina


E as asas foram braços, fusão plena

Tacteava no ar o teu esboço

Passos, caminho ao ninho do teu ser


Na auréola magenta do alvorecer

Estendi o olhar,

era apenas o Sol, a despertar



Maria Adelina




Há na cadência do espaço - Ailime



Há na cadência do espaço

A luz pálida dos dias

Que navega nos lemes

Dum barco velho ancorado no cais

 
 
As margens já não pertencem ao rio

E as nuvens choram o diluvio

Da manhã que entardeceu

No orvalho taciturno da noite

 
Uma ténue luz percorre os astros

E arrasta no murmúrio das nuvens

O desassossego das margens

Sufragado na mansidão das águas


Ailime

17.10.2013