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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Tão perto vos sinto



Tão perto vos sinto

Heróis do meu cansaço

Tão diferentes e iguais


Mar de desafio

Nas ondas do vosso canto

Adormeço e sorrio


Sonhos de alva espuma

Forma onde Deus se situa

Coração prenhe de luz


 Tão perto vos sinto…



Maria Adelina



quarta-feira, 28 de junho de 2017

Digo Mãe. Digo Filha



  
Floresceram as cerejeiras no lento tempo do pólen.
E vieram as abelhas, e as primeiras cerejas,
e o puríssimo mel.
Veio também o mês de maio
e, com ele, a trémula ondulação das palavras.
Digo mãe. Digo filha.
Palavras ajustadas à inquieta harmonia do sangue.
Palavras que se tocam como rios
da mesma nascente inundados,
pela mesma sede procurados.
Palavras que se dizem, que se calam,
que se questionam, que se entrelaçam.
Onde estás, mãe?
Tem cuidado contigo, filha!

Graça Pires, 2017



Imagem: Menez

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Dies Irae -












Apetece cantar, mas ninguém canta. 
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!

Miguel Torga, in 'Cântico do Homem' 


Entre a Lua e o Mar


Entre a Lua e o Mar
Há mistérios que fazem cismar
Como quando o tempo pára
E as marés se esquecem de mudar

E por vezes…
A lua reclama pelo teu coração a esmorecer
Pois dela trazes sonhos que escondes no mar

Lua é alma é mulher em seu recôndito ser
Nega-se a renascer quando carece de amor
Não de um qualquer…Mas

Aquele que tem raízes de algas e musgos
De sorrisos serenos que mima com o olhar
Nas sílabas, pautas que te fazem dançar
Aquele, que só Neptuno te sabe dar


(Poema inspirado numa alga medusa filha do mar)

A.



domingo, 25 de junho de 2017

Quando o poeta morreu





"ne me quittes pas"


Tinha um não sei quê
de diferente
que me fazia amá-lo
como se fosse meu
e sempre que
a sua voz girava
o meu corpo balançava
em braços
que não eram os seus

Ouvia-lhe as palavras
como se fossem minhas
sentia o cheiro dos "gaulloises"
como se das minhas mãos
espreitassem
e guardava
o seu sorriso enigmático
no espelho
onde diariamente me via

Deixei-me morrer
na sua morte
e guardei as lágrimas
junto ao vinil
que ainda hoje
me faz voar e dizer
"ne me quittes pas"

MIA ( Linda Fernandes)

sábado, 24 de junho de 2017

Querido




Eu te levarei em mim
Enquanto houver vida, querido
baterá no meu, o teu coração

Volume sem peso
como uma mãe leva um filho
que morreu sem viver

E tu estarás comigo
querido, no som da chuva
ou no sol que te imita o sorriso

E haverá estrelas eternas
alumiadas de ternura
e salgadas de lágrimas

Húmus onde a alma floresce
em labirintos desencontrados
nos jardins do porvir

Querido, querido…

Maria Assis




sexta-feira, 23 de junho de 2017

Coimbra que nos encanta




Coimbra que nos encanta

A marcha saiu à rua
Neste dia singular
Cantando alegremente
Veio p'ra rua dançar 

Coimbra que nos encanta
Mostra o seu terno olhar
Nossa alma já cansada
Não se cansa de te amar

Não sabemos bem porquê 
És um livro que se lê 
Tens princípio meio e fim
Neste toque de magia
Desfrutemos a alegria
De podermos ver-te assim

O mondego que te beija
Tem o dom que benfazeja
Murmurando tão baixinho
E o choupal dos estudantes
Já nada tem como antes
A não ser os passarinhos

A chama ainda existe
O sonho não terminou
O amor com que te vemos
Ainda não se apagou

Coimbra os teus amores
Serão teus eternamente
Como cidade és Cinderela
E jamais serás diferente


Carlos Arzileiro Pereira



quarta-feira, 21 de junho de 2017

Solstício de Verão

Solstício de Verão

Terra que se investe de fogo
No dia que ganha à noite
Da Deusa, o xaile traçado
Na magia da Luz tecido
Suster o amor Solar
Esperança...Vida…Eternidade...


21 de Junho 2017

Maria Adelina


terça-feira, 20 de junho de 2017

Sara









Bem-vinda

Luz da nossa esperança
Do Céu o mimo maior
Para à terra louvar
Narradora da diáspora
De uma era em ascensão

Que nunca me doa a voz
Ou o braço que a pena sustém
No debastar dos caminhos
Que sejam suaves a teus pés
Cristal, onde a luz fez morada

Bem-vinda canto de aurora
No infinito deixas saudades
Esteira de bênçãos pétalas de rosa
Que orvalham nossos corações
Em propósitos de amor e redenção

Bem-vinda Sara, neta amada

19 de Junho 2017


Recado da Lua




RECADO DA LUA


Como não sei onde estás
pedi à lua encantada
que me bordasse  um recado
na beira da tua almofada
Só pra dizer; Que te gosto
um recado a ponto pé-de-flor
que desenhe beijos e abraços
te fale do meu muito amor
Por favor abre a janela
e deixa o luar entrar
deixa que a lua faça
o que eu só posso sonhar
Antes de continuar a sonhar
diz, diz que recebeste o meu recado!

Teresa Queirós Ferreira


sábado, 17 de junho de 2017

Poema-me


Como diria Frida Kahlo, pode-se inventar verbos?

Poema-me

Nos cachos sombrios dos teus olhos
Nas palavras de um idioma inexistente
Num diário repleto a tinta invisível
Grava-me a fogo na árvore secular
Pois de ti, fui a trova e a trovadora

Maria Assis


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Manuela Graça - Quadras Populares


O Teu Nome




O Teu Nome

Sussurro o teu nome
devagar
devagarinho
mas sempre que
a minha voz se levanta
chamo-te só meu Amor

Esqueço-o
no rubor das noites
e das ternas madrugadas
no suor das flores
em manhãs cheias de Verão
no entardecer nublado
desfeito de amar e mar

Desfaço-o
na minha boca
quando o som do meu
sai da tua
e às apalpadelas
em descendo
para que não se apague a LUA

MIA ( Linda Fernandes)



terça-feira, 13 de junho de 2017

A minha homenagem a Fernando Pessoa




Lusitânia os Filhos da Luz

Mensageiros 

Ar- Que expande o poder do pensamento
Terra- Que na sua dor se contrai
Fogo- Que purifica e regenera
Água- No correr deste momento

No Éter

Ondula a preceito
O estandarte do 5º império
No elmo a insígnia lusitana
Víria do seu imortal capitão
Com a espada da palavra
É hora, de cumprir Portugal


Maria Adelina 


Em dia de aniversário do Poeta, lembremos as suas Quadras Populares






Quadras ao gosto popular
Fernando Pessoa

Cantigas de portugueses
São como barcos no mar —
Vão de uma alma para outra
Com riscos de naufragar.

A caixa que não tem tampa
Fica sempre destapada
Dá-me um sorriso dos teus
Porque não quero mais nada.

No baile em que dançam todos
Alguém fica sem dançar.
Melhor é não ir ao baile
Do que estar lá sem estar.

Vale a pena ser discreto?
Não sei bem se vale a pena.
O melhor é estar quieto
E ter a cara serena.


Tenho um relógio parado
Por onde sempre me guio.
O relógio é emprestado
E tem as horas a fio.

Fernando Pessoa


Fernando Pessoa - Não sei quantas almas tenho (por José-António Moreira)

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Linda Fernandas - Quadras Populares


O Rio do Ouro

Foto gentilmente cedida por Sara Leguisamo


  

O Rio do Ouro

Que apelo é este que espreita risonho na curva do rio
Leito onde Gaia, a princesa, se perdeu de amores
Encanto, onde o Sol se deleita e o tempo acentua
A montante carrega  o oiro de terras de Espanha
Dos socalcos fecundos, o fogo da terra, cor de rubi
Que a jusante se fundem, como que por magia
Em opala cintilante por fórmula de alquimia
Salpicado de luz,  desde o nascer, ao fim do dia


Maria Adelina



domingo, 11 de junho de 2017

Fátima Costa - Quadras Populares


DESÇO O MONTE





Desço o monte e chego ao rio
Procuro  o ouro e o verde
A água fresca e cristalina
Espelho das  aves livres
Que rasgam a neblina.

Subo à minha  fantasia
Vejo o meu gaio azul
Que me olha lá do alto
De lá aponta-me o sul
Só ele sabe onde falto.

Sinto o silêncio que dorme
Nesta tarde que é enorme
E a brisa rasteira ao chão
Açoita-me levemente
Em jeito de saudação.
   
Anabela Coelho


sábado, 10 de junho de 2017

Bate Coração




Que fazer
quando o coração cresce
e morre de frio
sem telhados para se aquecer?

Deixá-lo bater
num peito aberto de liberdade
ou silencia-lo de fome
nas bocas cheias de nada?

Não, coração
bate como nunca bateste
grita como nunca gritaste
e mostra ao mundo
a tua pátria agonizante
que há-de reerguer-se
mesmo que os vampiros
passeiem impunes
pelos prados ressequidos
da esperança que não há-de morrer

MIA ( Linda Fernandes)



V Império surgirá na Terra, sob o Alvorecer duma Nova Era!




  

   Ao nocturno passado - fé crescente -

   erguendo olhos em sombras abismados,
   e fechando-os de novo marejados
   pelo sinal da névoa ainda ausente,
   todos sentem que a alma, em vão dormente,
   cisma com horizontes dilatados;
   e vivem a verdade de esperados
   domínios. E assim, abstractamente,
   se constrói um Império ao pé do Mar,
   - sentido universal de um só altar -
   fundindo-se no céu imenso e aberto...
   Gentes! Esperai que Deus, com sua mão,
   desfaça para sempre a cerração
   que envolve há tanto tempo o Encoberto...
   Quando dado o sinal, o Império for
   e quando o Ocidente ressurgir,
   no momento marcado hão de tinir
   pelos ares as trombetas do Senhor.
   E haverá pelos céus, só paz e amor.
   Um só Cálix de Ouro há de fulgir,
   uma só cruz na Terra há de existir,
   sem inspirar receio nem temor...
   Será a hora estranha da Verdade.
   E morta a pompa do pagão sentido,
   surgirá, então a Outra Idade.
   Acabará este viver incerto.
   Será o Império único e unido
   Quando der sinal o Encoberto!


Augusto Ferreira Gomes






O Amor a Portugal

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Cília Dinis - Quadras Populares


Amo o Caminho que Estendes




Amo o caminho que estendes por dentro das minhas divisões.
Ignoro se um pássaro morto continua o seu voo
Se se recorda dos movimentos migratórios
E das estações.
Mas não me importo de adoecer no teu colo
De dormir ao relento entre as tuas mãos.

Daniel Faria


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Cecília Pires - Quadras Populares


JACARANDÁS DE LISBOA


Tange o vento sua cítara,
À volta do jacarandá de Lisboa.

Perto, sem cessar, a onda ruge
E embala adormecida canoa.

De algas se vestem as estrelas-do-mar
E, sem saber o seu destino,
Minha alma vagueia em castelos de menino.

Desperta e embeleza-se a aurora,
Que dança nos braços do jacarandá.

Em sua cor sabe o jacarandá
Que há tormentos na esperança
E alegrias no inferno.

É metafórico o falar
Que percorre meus poemas,
Mesmo quando não ecoa
Um qualquer lamento da minha voz.

Enfim, o braço cansado da noite repousou,
Anoiteceu e adormeceu.

Como em tesouro, se guardam as joias
Das flores azuis do jacarandá de Lisboa!

João Coelho dos Santos


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Maria Adelina Lopes - Quadras Populares


ESTA GENTE



Esta Gente
Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo

Sophia de Mello Breyner Andresen


terça-feira, 6 de junho de 2017

Álvaro Lima - Quadras Populares


NÃO FOI O FIM



Quantas vezes
Visitaste aquele lugar, na esperança de encontrar 
O amor da tua vida

Quantas vezes
Oraste naquele local, pensando que era um portal 
De uma esperança perdida

Tua musa, 
Te inspirou e te levou, talvez porque desejou 
Que esse amor fosse o teu mundo

Horizontes
Se abriram a quem perdeu, uma luz que se acendeu 
No recanto mais profundo

Em sofrimento 
Usaste a inteligência, com toda a irreverência 
Foi um penar que acabou

Não foi o fim
Porque o teu lado melhor, passado com muita dor
Julgo que recomeçou


 Carlos Arzileiro Pereira