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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Madrugada minha




É na madrugada que a luz é mais pura

Na ténue escuridão que luta por vencer

Não engalanada pelo que acredita ser

Contém em si a força do sol por nascer


A.


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O HOMEM NOVO




Que tempo é este que escorre pela janela
Preso às lianas cibernéticas
Que não anuncia a estação do homem novo
Sem grama nas mãos
Com veias lavadas
Sentado
Com asas.

O Homem novo!
Vindo da raiz silente
Que se eleva no ventre da mãe
E no branco da palavra
E salta a pés juntos
Para a voz ardente do silêncio
E voa nas crinas do vento
Para dentro do fogo.

Anabela Coelho


terça-feira, 19 de setembro de 2017

Para as avós "Mães com açúcar"




A TUA MÃO

Ainda vejo a tua mão sobre a toalha
Musicando o hino da manhã
A tua leve mão alisando o tempo
Na toalha de raminhos de hortelã.

Ainda vejo a tua mão sobre a toalha
Que o teu olhar a ponto luz bordou
Sobre ela as uvas, os figos e as cerejas
A limonada que o tempo adoçou.

Ainda vejo a tua mão sobre a toalha
E sobre ela o paciente castiçal
Que iluminando, não iluminava nada
Pois só a tua luz, maior, era o cristal.

Ainda vejo a tua mão sobre a toalha
Seguindo a minha pelas flores bordadas
Duas estações, frente a frente, serenas
Segurando as nossas mãos caladas.

Anabela Coelho

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Serenata à Lua





Serenata à Lua

No lusco-fusco do anoitecer, quanta esperança
Nos tantos olhares que se elevam à Lua
Absortos no esplendor da tua magia
Senhora das marés, rainha da noite

Quarto Crescente, florescente pró criador
Lua Nova resplandecente, fecunda
Quarto Minguante de brilho plangente
Lua Cheia, de seio farto, nutridora

Musa dos poetas que te deram um coração
Timbre do canto de quem sente a emoção
De te saber areal sereno ou banco de jardim
Onde os olhares ausentes se encontram
...E se dão as mãos


Maria Adelina







domingo, 17 de setembro de 2017

OS SONHOS SÃO PÉTALAS DA VIDA



O sonho repica à minha beira
Vagueia na mente em frenesim
Corre lentamente na minha ribeira
Sempre à procura de mim.

Passa em cada viagem
Mensagem nem sempre presente
Na diversidade da imagem
Tacteia, ora triste ora contente.

Mas quando acordo, morre
Tantas vezes sem fim
No sono, o sonho vadio corre
Sem querer olhar para mim.

Venero os sonhos da minha mente
Das entranhas puras da razão
A percorrerem a minha corrente
Nas águas límpidas da inspiração.

Vidas sem sonhos são adormecidas
Mendigas de vontade e emoção
São como folhas caídas
Que deambulam no chão.

Álvaro Lima




sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Nas folhas do meu caderno



Vivem saudades e mar
Vivem os dias de inverno
Que me acalentam o olhar.
A folhear o meu rosto
Também se pode sonhar
E tu vieste da noite
Trouxeste contigo os braços
Com que me queres abraçar.

A madrugada que temos
Vestiu de bruma a cidade
Mas deixou nela esta brecha
Que me traz uma saudade
Que não posso mais calar.

É uma dor tão macia
Ao teu jeito, meu e teu
Vive em nós num desatino
Que procuramos os dois.
Será mar, rio ou regato
Que importa, se só eu sei
Saborear esta rota?
Onde nos leva, não sei.

Com esta saudade ao colo
Não há invernos nem ventos
Embalamos o que somos
Na madrugada de bruma
Aveludada de beijos
Na explosão dos sentidos
Na urgência dos desejos.

Nas folhas do meu caderno
Vivem saudades e mar
Cabem madrugadas loucas
Abraços, juras no ar
Desejos sem freio, loucos
Que nos fazem aninhar.

E na alcova tão macia
Tão morta por nos tapar
Ambos sorrimos à vida
Damos largas ao desejo
Soltamos toda a ternura
Amaciamos a vida
Damos-lhe um sabor a mar.

Maria Aida Araújo Duarte.





quarta-feira, 13 de setembro de 2017

ALMA














ALMA

Sim… sim… a alma
O éter voando no espaço
Naquele azul redondo
E faminto
Que ninguém consegue agarrar…

Para chegar até ela
Preciso de escadas
Preciso de subir mais alto
Por degraus de luz que não há…

Arrasto-me pelo chão
Pelo solo onde caminham os ossos
Deixando sulcos e marcas
Que o tempo vai apagando …

Eu queria ser alma!
Eu queria ser pássaro!
Ser o azul redondo
De tudo o que sonho e desejo!…

Queria ser o Outro
O que voa, o que sonha
O que ousa…

E fico espalmado
Como um paquiderme
Sem asas, sem rasgo…
A esvair-me de todo o azul possível
No asfalto da vida… 

A. Alves Cardoso 


terça-feira, 12 de setembro de 2017

A Deus



A Deus

Alvos lenços que se agitam com fervor
Mas! Se sois os celeiros do Meu Ser
Eu Sou o cais onde vos cruzais
As naus da Minha expansão

Cancioneiros do Cosmos
Minha essência, Minha voz
Na unidade do que Sou
Em Mim, sois vós também

Minha estrela peregrina aonde queres migrar
Se Minha Voz Minha Luz te estão a amparar
E tu, ave de fogo, semente de trigo a florir
Em ti Me faço obra para o Cosmos evoluir

De vossos lábios em prece, é um louvor a soar
Corações sentidos, um “A Deus” a murmurar
Inspirem o meu alento, no fremir do vento
Acordem meus Anjos...

Que outro dia nasce
E os campos se abrem à sementeira
Despertem da ilusão da separação
Só o Todo em vós, a Mim recria


Do Livro: Hieróglifos do Cosmos



segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Escuta o Vento


Escuta o vento

No prado azul dos dias
É a melodia que ressoa nos ciclos da terra
Que retém na memória a forma, a cor, da
Imagem com que meu coração te investiu
Água, adubo da vida no eterno renascer

Escuta o vento

Nele gravei com esmero e doçura
Asas de anjos em cada flor
Coroas de  teu amanhecer
Chama Crística
Que na escuridão de teus sentidos
Enche de bênçãos teu caminhar

Deixa-te abraçar
Pelo vento, bálsamo de toda dor

Maria de Jesus

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Querido



Te llevaré en mí
Mientras haya vida, querido
en el mío, lucirá tu corazón

Volumen sin peso
como una madre lleva a un hijo
que murió sin vivir

Y tú estarás conmigo
en el sonido de la lluvia
o en el sol que te imita la sonrisa

Y habrá estrellas eternas
iluminadas de ternura
y saladas de lágrimas

Húmus donde el alma florece
laberintos desencontrados
en los jardines del porvenir

querido, querido ...



terça-feira, 5 de setembro de 2017

Menino Perdido




Os teus segredos

São as mais preciosas pérolas na arca de tesouros que me deste
Criança de luz a quem a sombra esmorece a vontade
Dos teus medos, fiz beijos perfumados que os desarmam
Das raivas, abraços silenciosos que lhes tiram a memória
E os outros, os que deixamos sem nome, 
nomeio-os as Cinco Chagas de Cristo 
que te lembram a todo instante
 o renascer do homem novo
 no qual sei, edificarás.


Nina



segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Que olham os poetas?

De que serve






De que serve a bondade 
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos 
Aqueles para quem foram bondosos?

De que serve a liberdade 
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?

De que serve a razão 
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?

Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos 
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor; 
A faça supérflua!

Em vez de serdes só livres, esforçai-vos 
Por criar uma situação que a todos liberte 
E também o amor da liberdade 
Faça supérfluo!

Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos 
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos 
Um mau negócio!


Bertolt Brecht


Quando chove lá fora, e cá dentro...


Caminhante não há caminho, faz-se caminho ao andar






Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.

Nunca persequí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles,
como pompas de jabón.

Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse…

Nunca perseguí la gloria.

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
sino estelas en la mar…

Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Murió el poeta lejos del hogar.
Le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse le vieron llorar.
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Cuando el jilguero no puede cantar.
Cuando el poeta es un peregrino,
cuando de nada nos sirve rezar.
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso.

António Machado

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

NORTADA











Quando a nortada varre a praia
O vento desabotoa-me a pele
Com mãos de cabritinhos…
Agarra-me pelos cabelos
E leva-me longe
Tão longe…
Onde só os pássaros podem ir.


Teresa Queirós Ferreira