terça-feira, 8 de novembro de 2016




Aceito que o olhar teça e desteça
o contraste dos dias num bailado
de gestos que se desdobram
e prolongam para além da pele.
Quero-me no centro do espaço
onde tudo começa e acaba,
onde me uno e desagrego,
onde me deixo habitar
por uma quietude imensa.
Desvinculo-me de todos os enredos
para que a osmose das trevas e da luz
alcance o resgate do corpo
que se retalha roçando o chão
e se dissipa em pleno voo.

Graça Pires
De Uma claridade que cega, 2015


3 comentários:

Unknown disse...

A intensidade habitual desta autora.

Anónimo disse...

Poema lindo e muito profundo.

Unknown disse...

Gosto deste poema! Envolvente.