sábado, 3 de setembro de 2016




Não sei onde para a minha alma!
Já a sonhei lírio de luz e escuridão
Não sei em que altar reza por mim
Não sei se chora esta infinda escravidão.

Essa asa de borboleta louca e negra
Que esvoaça em mil penas lá no fundo
É uma asa de treva e de tristeza
Que me eleva a mendiga neste mundo.

Não posso deixar que me vença e me leve
Viúva negra de um tão negro céu
Vai, desprende-te de mim, leva esse véu.

Dobrem os sinos, chorem meu pranto
O meu pássaro branco adormeceu
Ai, mansas asas, pássaro cândido, ainda és meu.
                           

 Anabela Coelho

2 comentários:

Anónimo disse...

Bonito retrato de alma, numa alma com tanta alma.

Maria Adelina Lopes disse...

Cara Anabela, tenho a certeza que Florbela, musa inspiradora deste poema, se sentiu reconhecida e amada.