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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A DEUS





Tenho umas coisas para te dizer
Que não vais gostar nada de ouvir.
Se vias que o barro era impróprio, adiavas
Se estavas sem força, descansavas mais cedo.
Deverias ter sido mais cauteloso.
E assim podes limpar as mãos à parede!
Homens destes podias muito bem dispensá-los.
A Alma? Para que querias a alma?
Tinhas sempre à mão os anjos, os serafins, os arcanjos
E em vez disso criaste estes pobres marmanjos
Que se arrastam, penosos, pelas frias lajes da vida
A sofrer como cães,
Mortais, vazios, mais céleres que vento sobre as searas.
Que no princípio era o Verbo!
Mas quem precisava do Verbo?
E agora aqui estamos como meninos perdidos no escuro
Cheios de angústias, de medos, à espera da morte...
Talvez um dia, quem sabe, viremos imortais como tu.
E já não precisaremos destes esqueletos
Que deambulam pela terra
Como órfãos perdidos do Éden.

A. Alves Cardoso