segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

SONETO DE AMOR




Soneto de Amor

Ela era nova e no entanto
A morte veio em seu passinho leve 
E levou-a embrulhada no seu manto
O seu rosto florido, o seu rosto breve.

Talvez lá no assento etéreo onde subiu 
Se recorde do tempo de criança 
Do muito que amou, do que sorriu
Do que ficou em mágoa da lembrança. 

E se a morte, dizem, é passageira
Também eu, amor, quero morrer 
E ir ao teu encontro onde estiveres. 

Perto de ti serei o que quiseres 
Que viver sem ti é não viver 
Quero morrer vivendo à tua beira.   


A.  Alves Cardoso 



3 comentários:

Maria Adelina Lopes disse...

O amor destila na simplicidade das palavras o que me fez lembrar Pessoa: «O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente.»

Cecília Pires disse...

Uma belíssima forma de cantar o puro amor, um amor maior. O poema, construindo na dicotomia viver/ morrer, hiperboliza o sentimento de amor pela mulher amada, que, mesmo embrulhada no manto da morte e apesar da sua essência naturalmente triste, é cantada pelo sujeito poético de forma sublime e pura.

Anónimo disse...

Bonito soneto de amor. A inteligibilidade passa pela simplicidade, e o poeta de uma forma simples canta a real pureza do amor. Quem ama vai sempre ao encontro da essência.