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terça-feira, 29 de novembro de 2016



Tantas vezes vida, tantas vezes morte

Neste momento dou ao meu perfil 
a configuração de uma haste 
que, ao primeiro sopro do vento, 
adivinha um fogo posto nas palavras.
Conheço o rigor das noites 
e o alarmante traço 
da obsessão pelas trevas 
que me cingem os braços
quando o reflexo do luar
incide nas manchas do meu rosto 
e com os mais antigos olhos 
posso rever o passado: 
tantas vezes vida, tantas vezes morte.

Graça Pires

De Uma claridade que cega, 2015