quinta-feira, 23 de junho de 2016
















O Não Ter Tempo

Deus me pede do tempo estrita conta!
É preciso dar conta a Deus do tempo;
mas, quem gastou, sem conta, tanto tempo
Como dará sem tempo tanta conta?

Para fazer a tempo a minha conta
dado me foi, por conta, muito tempo:
mas não cuidei da conta e foi-se o tempo…
Eis-me agora sem tempo, eis-me sem conta!

Ó vós que tendes tempo sem ter conta,
não o gastei sem conta em passatempo:
cuidai, enquanto é tempo, em terdes conta.

Pois, se quem isto conta do seu tempo
houvesse feito a tempo apreço e conta,
não chorava sem conta o não ter tempo.

    (Anónimo)
(Antologia Portuguesa e Brasileira)

2 comentários:

Unknown disse...

Ilustre anónimo que pena não ter tido tempo para nos dizer o seu nome. Como é assertivo o seu poema, a sua mensagem. Lindo!

Cecília Pires disse...

Tempo! O mais precioso tesouro dos efémeros mortais!