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terça-feira, 31 de maio de 2016



ARISTIDES DE SOUSA MENDES

Eu sei que morreste pobre
Embrulhado em burel
Dos Franciscanos
Como um pedinte de rua

E que os teus ossos repousam
Num cemitério escondido
Em Cabanas de Viriato,
Esse guerreiro indomável,
Donde bebeste o sangue  e o sol
E de quem herdaste a alma!...

Ambos morreram traídos,
Um pela espada e o outro
Por essa espada maior
Feita de humilhação e castigo
Enquanto vivia...

Levaste aos ombros a mesma cruz
Que o Outro,
Foste vergastado e humilhado
Pelos novos Pilatos
Bebeste o fel até à ultima gota
E caíste vergado pela humilhação.
Morreste num dia sombrio pregado na cruz,
Não ressuscitaste ao terceiro dia,
Mas estás no caminho dos Justos
Nessa mesma Jerusalém milenar
Onde não chegam
Os nomes dos teus
Verdugos…


António Cardoso