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segunda-feira, 10 de agosto de 2015


Para a Maria Alice Branco

EM TI, ESSE DESEJO

Já o sabia, todos nós o sabemos, também tu o sabes,
Que cada dia que passa é mais um da sequência de outros
Que não tendem para o infinito.
Mas em cada dia que passa desejamos
Que o fim inevitável não seja tão próximo e imediato.
Em ti, esse desejo é sublime e exuberante
Sustentado em equações com incógnitas
De coloridos outonais no fortalecimento de um futuro reinventado.
Em ti, esse desejo, faz-te desafiar a vida, impor o teu ritmo,
Numa busca de novos sonhos sem jamais perderes os que trazes contigo.
Em ti, esse desejo faz-te compor sinfonias de números
Que povoam os teus pensamentos agitados.
Em ti, esse desejo, reclama um direito nem sempre respeitado,
E com ele vais rejuvenescendo o teu ser,
Em contraste com o envelhecimento exterior.
Em ti, esse desejo não deixa que te transformes
Numa dessas viagens sem regresso,
Em que o passado cede lugar a memórias desconhecidas.
 Em ti, esse desejo não aguarda respostas, porque o universo te as dá
Sob a forma de iluminações que acolhes com serenidade e naturalidade,
Numa partilha com esta existência criadora.
Em ti, esse desejo faz cintilar a luz do amor em teus olhos
Não deixando cristalizar a tua coragem de amar.
Em ti, esse desejo mostra um tempo que não tem idade
E uma sabedoria sagrada que foste arrancando à vida
À medida que ela te a foi oferecendo.
Em ti, esse desejo não te deixa indefesa na sala de espera
De uma eternidade que há muito sabes, terás de viver
Noutras realidades e dimensões.
Nós, um dia seremos velhos e isso tu ensinaste-nos,
E nesse dia não sentiremos a melancolia da tua ausência.
Então ficar-te-emos gratos pelas lições que nos deixaste.
Em ti, esse desejo.


Nelson Neves

9 de Agosto 2015