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quinta-feira, 8 de março de 2018

Mulher, Mulher...



Mulher, Mulher
Nascente do amor maior
Possui o mistério alquímico
Das pérolas douradas
Fluido sagrado de Shakti
Às deusas reservado
Fogo curador
Bálsamo do oculto
Ventre sacramentado
Torrente de túmida cascata
Fonte que se derrama
Pelo código do coração
No amplexo, brisa do tempo
Chave do imensurável
Em braços de sândalo

Nina



quinta-feira, 1 de março de 2018

Verso e Inverso




Verso do tempo sem Poema
Assinalamos datas para nos situarmos no tempo
Na alienação, ou no luto do túmulo sem corpo
Defunto extraviado no deserto de vazio profundo
Sem luz, sem razão, sem remorso ou contrição

Inverso do Poema com tempo
Que gota a gota expandiu, inspirou,
Bênçãos tamanhas encarnadas no colo aberto
De intuições profundas, sons celestes, Poema
Presente impresso, que ensina pelo inverso

Sopro de Deus que a brisa verbaliza:

“Sei o que Sou, por Mim és o que és,
na matéria, ensinas-Me tu, por ti.
Pela vibração da tua dor aprendi,
quão humano é o Meu sentir”


Nina

De um, a outro Março








quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Estradas de Prata




Estradas de Prata

O mundo das formas mudou
Nuvens passeiam no chão
As árvores ensaiam o voo
E as aves fazem ninho no céu
O mar está em gestação
Do poder que remete ao olvido
Estrelas morreram sem glória
Sem luz sem brilho
Recobrindo de lodo
As estradas de prata
Frio, tanto frio
Loucura ou feitiço
Conto sem final feliz
Do sapiens, que regrediu 

Ao Cosmos Imanifestado


Nina


sábado, 30 de dezembro de 2017

Um coração é também um Altar




O Altar

Tantos são os altares
com ou sem paredes
a transparência
sua única condição

As novas Belém que vemos ou não
com os olhos do corpo ou do coração
onde a estrela guia por vezes aflora
aos olhos onde impera a veracidade

Locais de cita com Anjos mensageiros
em que a alma abre sulcos pela oração
e as sementes…as sementes
são os acenos de Deus

Que nunca um altar seja profanado
por mal-querer endossado 
ao sítio 
onde mora o sagrado



Nina


terça-feira, 14 de novembro de 2017

Quando morre um poema



Quando morre um poema
A galáxia obscurece
O sol recolhe-se em luto
As estrelas apagam
O mar revolta-se
As nascentes secam

Um poema é renascer em vida
É sentir o vibrar da ínfima flor
Perceber o murmúrio da terra
Saber o que nunca se aprendeu
Viajar no colo da utopia
É o oxigénio do fogo na caverna

Um poema relança o coração
Na órbita da unificação
É razão da existência da alma
Da ceia e da multiplicação
É o roce de um beijo
Passageiro do eterno

Porquê se mata um poema?

Nina





quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Almas em Contramão



Que maculam os primórdios
Da sua génese e constelação
Afundam velas e veleiros
Caçoam do bem que as sustém
Do divino reflexo que as alumia

Com requinte estilhaçam o braço que as
abalança no frágil arame do seu equilíbrio
Meteoros perdidos na espiral da vida
Moldam ódios, geram penas, destilam ácido
Que corrói as correntes que as elevam

Sentam-se no trono do efémero mundi_ser
Assente nos escombros sem causa
Desnecessários, que cultivam pelo prazer
De se sentirem autores de seus infernos
Rotas, em desafio a Deus


Nina




terça-feira, 5 de setembro de 2017

Menino Perdido




Os teus segredos

São as mais preciosas pérolas na arca de tesouros que me deste
Criança de luz a quem a sombra esmorece a vontade
Dos teus medos, fiz beijos perfumados que os desarmam
Das raivas, abraços silenciosos que lhes tiram a memória
E os outros, os que deixamos sem nome, 
nomeio-os as Cinco Chagas de Cristo 
que te lembram a todo instante
 o renascer do homem novo
 no qual sei, edificarás.


Nina



segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Liberta



A mão que te curou, é a mesma que te baptizou
A que mil vezes destravou o trinco e te deixou entrar
A que acorria com bálsamos, pressurosa, à febre dos teus dias
A que acolheu e amou os frágeis passarinhos caídos dos teus ninhos
É a mesma mão, generosa e a sorrir que te acena a cada despedida
Sempre aberta para dar nunca para pedir, e que te incita a voar
Liberta,  a mão que te afagou com a essência que desconheces

Liberta, liberta-te, e voa... Aonde reencontres os pares da tua identidade

Liberta...


Nina




quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Os capacitados por Deus




Os capacitados por Deus

O mar cósmico é o berço da alma
Dá-se, em fluxo e refluxo pausado
Em seu seio os que navegam à deriva
Flores tão belas, as preferidas de Deus
Batidas pelas ondas esquecem seu brilho
E pelo canto das sereias distorcem sua luz
Por vezes perdem o rumo
Aconchegam-se no palco fútil
Ilusória rede de sustentação
Onde a Palma do Amor, se retrai

Nina


sábado, 29 de julho de 2017

Homem de joelho no chão




Homem de joelho no chão
Desfralda as velas usadas
Que te embaraçam a alma
Reforça tuas asas
Ensaia as sendas da paz
Navega em terra ou no mar
Enxada na mão a semear teu pão

Que as rugas mais vincadas do teu rosto
Não sejam dos anos mas beijos de luar
Quando na noite mais profunda
Procuras refúgio em colo aberto
E ambas lágrimas num só caudal,
Formam lagos de sal
Reza, reza por ti

Nina

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Só a Fé



Só os eixos profundos da fé sustêm a alma 
na derrocada das montanhas  onde cresceu
da morte das árvores que amparou
das  sementes em solo estéril e das
chuvas ácidas despropositadas

Só a fé, certificada na ilusória realidade
alimenta  sorrisos temperados
de ternura e melodias que o vento traz
desenhados no álbum do eterno presente
matriz da ampla e fermente raiz

Só o rugido da fé, dilacerante
se agrega ao da alma em pena
enlace que ao céu estremece
na forja da transcendência
lúcida, no seu peregrinar


Nina



segunda-feira, 24 de abril de 2017

Em Piedade






Chove em ti torrentes de água
Que as nuvens compartem
Em piedade,
Pelos cegos da vida

A lua debandou perdeu o rumo
Na escuridão dos teus olhos
A tormenta recrudesce dolorosa
Cataclismo em tuas costas curvadas

Corres acantonado ao fútil destino
Buscas o calor que tua alma clama
Nos espasmos de sede aprendes a dor
P`la água viva no horizonte perdida 

Hélios, força motriz, destapa tua face 
Sombreada pela ignorância, crueldade
Do ser humano confuso e perdido
E abençoa o renascer de um novo mundo


Nina




segunda-feira, 10 de abril de 2017

O som do silêncio



Os céus estremecem de frio
E as estrelas andam para trás
As galáxias dão-se as mãos
Em gesto de compaixão
Os deuses desembainham
E selam as ordens
Nunca o som do silêncio
Foi tão ensurdecedor

Os relógios não contam o tempo
Suspensos do coração da terra
Gaya aguarda o sinal
Engalana-se com cores
Lenço de dama em torneio
Estandarte dos cavaleiros
Ao serviço da regeneração

Meu Senhor

No teu ilimitado amor
Que limite para te libertar?
Que de paz
Que de bondade
Que de verdade
Que de fraternidade
Que de sacro-ofício
Que de orar-acção
Para da cruz te afastar?

Meu Senhor

Não há mais sudários, nem lágrimas para te chorar…

Nina





sexta-feira, 7 de abril de 2017

Sopro a Sopro




Desce o pano, sopro a sopro
Da obra-prima, tua eleita
A mais bela obra encenada
Pomba que veste de luz
As asas negras dos corvos

Poupa teu esbracejar
Olhos que não vêm
Além da veste exterior
Tudo aferem pela caliça
Que lhes recobre o interior

Jóia da minha tribo
Busca-te meu Senhor
Reclama de ti o penhor
Em que trigal semeaste
O Seu e teu, imensurável amor


Nina

7 de Abril 2017



quarta-feira, 5 de abril de 2017

Estrelas Cadentes




Somos húmus, terra, orvalho
a semente e a alfaia
estação, escolha, colheita
noite de aurora raiada
mas também, Sol na escuridão

Somos pequenos universos
compostos de corpos celestes
cada um tem os seus
planetas, sois e luas
cometas, meteoros, estrelas

Todos são mestres das lides, e 
quando se tornam cadentes,
Uns
Deixam-nos correntes de ar quente
brisas que distendem nossas asas
transcendentes, na dimensão espacial
Outros
Compacto e negro pó, oprimente
que devemos misturar com águas sagradas
e moldar, em degraus de ascensão



Nina