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segunda-feira, 4 de julho de 2016

















FRONTEIRAS

Os teus olhos,
Ainda adormecidos,
Amanhecem névoas e pássaros,
Por entre uma luz
Que rasga a pele do chão.
Ao longe, o mar azula-se
No céu que o acaricia.
Uma flor de frangipani
Suaviza o canto dos búzios
A nascer na solidão da areia.
O silêncio do sol
Cabe inteiro nas tuas mãos,
Que gritam poemas em surdina
E se desfolham pétala a pétala
Sobre o meu regaço de vidro.
     

Lurdes Breda

segunda-feira, 20 de junho de 2016


MATER

A lua traz no ventre,
Aquartelado pelo tempo,
O presente efémero
E sonhos com asas de flamingo.
Os filhos do coração
Pintam o colo das mães
Com dedos de fantasia.
Mulheres d’areia,
Gaivotas de olhos salinos,
A choverem gotas de mar
Por entre seios desnudados
No chão de luar.

Lurdes Breda