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sábado, 23 de setembro de 2017

Outono Anunciado



No arrepio de um Outono anunciado
O Sol, é fogo que atrai o olhar
As ondas, lânguidas no espreguiçar
A nossa conversa querem escutar

E o céu desdobra-se sobre o mar
Em tela impossível de imitar
Quanta Paz, quanto Amor
Aos nossos pés vêm depositar

E neste louvor partilhado
De bem-querer sublimado
Quanto de ti ou de mim
Possa ser mensurado


Maria de Jesus






segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Escuta o Vento


Escuta o vento

No prado azul dos dias
É a melodia que ressoa nos ciclos da terra
Que retém na memória a forma, a cor, da
Imagem com que meu coração te investiu
Água, adubo da vida no eterno renascer

Escuta o vento

Nele gravei com esmero e doçura
Asas de anjos em cada flor
Coroas de  teu amanhecer
Chama Crística
Que na escuridão de teus sentidos
Enche de bênçãos,  teu caminhar

Deixa-te abraçar,
Pelo vento, bálsamo de toda dor

Maria de Jesus

domingo, 26 de março de 2017

Às vezes



Às vezes da minha janela vejo coisas belas
O céu feito de mares e os solos de infinito
No profundo da madrugada pássaros despertos
Fazem romarias em dia de santo de tempo algum
E o rio da inspiração corre célere, fecundo
Como sempre, que tua alma vem sentar-se
no banco de jardim, onde a minha, te reserva lugar


Maria de Jesus


domingo, 26 de fevereiro de 2017

Minha Voz








Minha Voz







Minha voz faz-se canto quando fala de ti
Voa mais alto, torre, águia, tempestade
Sol de meia-noite, auroras, utopias
Chuva no deserto

Inspiração é pomba que esvoaça
Vento de mar, teu perfume

Na palavra construo catedrais
De dia cílios ardentes
De noite estrelas cadentes
Em alva pedra, altar

O bem-querer é o astrolábio
Das naus perdidas nos céus

Na penumbra em que afirmas
Tuas raízes à deriva
Sou nascente e foz de um rio
Há mil anos a desaguar em ti

Sem carvão ou grafite
Desenho teu nome na luz


Maria de Jesus





segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

São poemas, tão só poemas






São poemas, tão só poemas
Onde espíritos de ouro jazem adormecidos
Ali, onde o amor floresce fresco e puro
Reino, onde as almas se inspiram

Não os temas... são só poemas
Quiçá um dia melodia em trovas
Que levem nas suas memórias
O fogo sacralizado deste amor

Acolhe-os, são apenas poemas
Abençoa com teu olhar
A graça que vai perpetuar
A lembrança dos teus ossos

Algures num epitáfio eterno
em granito secular um poema dirá
Que te tornaste mestre do amor
Pelo muito que foste amado


Maria de Jesus



sábado, 4 de fevereiro de 2017

Diálogo de um amplexo mudo




Diálogo de um amplexo mudo

Dou-me, em ti, o desenho original do que sou
Renasce o meu respirar no teu reencontrado
Sou, no elixir catártico dos olhos marejados
Ensaio a liberdade na ternura que se desprende
Entre o querer e o ter escolho o sonho oscilante
Reverencio o divino no vibrar do coração ampliado


Maria de Jesus

sábado, 14 de janeiro de 2017

Amor que inunda a alma




Amor que inunda a alma

O amor que inunda minha alma é transparente
Não tem desenhados os traços de um rosto
Mas tem vincada a doce pressão do enlace
Dos braços extensos, fortes, da eternidade

Cada palavra minha tem o som de um poema 
Que flui em cascata, água sagrada
Ressalta em búzios burilados, diamantes
Em cujo brilho está gravado o enigma da vida

Cada ano me aproxima da estação engalanada
Do reencontro com a voz do meu amparo
Beijo que ressuscita, água no deserto
Fogo da minha alma

Que o tempo temperou com sol e lua, e
Estrelas alfabetos que lhe compõem o nome
A memória desenhará seu rosto na estação
Onde os comboios em breve se encontrarão


Maria de Jesus





sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Memórias





Memórias

Navego pelas margens
Para não macular
O leito de inocência
Onde foram criadas

São a força do vento
Que eleva meus passos
Quando subo os montes
Que mais ninguém quer

De que posso ter dó
Pressa ou desamor
Destino, o infinito
Onde o amor amadurece


Maria de Jesus





domingo, 4 de dezembro de 2016

Devagarinho




Devagarinho


Escrevo-te devagarinho
Desenho cada letra
Como se fora um dia
Numa carta eterna

Amo-te devagarinho
Não vá cansar o tempo
Rol de pergaminho
Nas asas do vento

Olho-te devagarinho                                          
Para gravar a promessa
De ver pelos teus olhos
A radiância de Deus

Sinto-te devagarinho
Na folha que se despede
Dança, balança em espiral
E adormece em meu regaço

Penso-te devagarinho
Em lampejos de emoção
Soluço que se torna dom
Raio de sol em cada mão


Maria de Jesus




quarta-feira, 30 de novembro de 2016



Pedacinhos de Ti

Tudo me leva para o mar
Alvos novelos de lã, nuvens
Aquelas que teus olhos beijam
Assentes em aguarela azul        

Sinto nas mãos as algas
Alfombras de teus pés
No lilás que teima em florir
Na moldura da minha janela

O campo ondula no pico do meio-dia
Miríades de ondas em alto-mar
Nesta nau sem âncora ou lastro
Vogam, os pedacinhos de ti

Imito Neruda quando diz…
"Amo-te quando te amo, e quando 
não te amo, amo-te mais ainda…"



Maria de Jesus




sábado, 26 de novembro de 2016


Composição

De que se compõe um poema
Senão da migração dos sentires
Qual andorinha perdida
Na cruz da rosa-dos-ventos

De onde vem para onde vai
É um mistério dos tempos

Tem o sopro quente
Das lembranças doces
De sorrisos inesperados
De silêncios falados

Que diz ou não diz
Tem gosto ou aroma

Ao sabor do chá confidente
A cheiro de maresia ausente
Tem forma de gente
Alma, timbre, do meu canto


Maria de Jesus




quinta-feira, 24 de novembro de 2016



Roda de Mar

Os dias estremecem de saudade
Debruçados em varanda de espuma
E o espírito liberta-se, voga sereno
Mestre-escola da senda da vida

O som eleva-se ao bramido do vento
Enche-se de luz, fogo, melodia
Na candura com que te embala
Minha voz é cântico, carícia, entrega

Na roda de mar que nos aconchega
Trono de paredes de rocha nua
Mergulho na maré de teus sonhos
E sou alga, água, jardim ou lua...

Maria de Jesus



segunda-feira, 21 de novembro de 2016




Velando

Beija os meus sonhos a eles tão só
Deles farei borboletas rodopiantes
Ébrias de alegria moldes de encanto

Abraça-me com olhos de espanto
Como quando rezas ao infinito
E teus olhos derramam estrelas

Toca-me os cabelos só com a intenção
Da harpa que tange co silvo do vento
Melodias, em pautas nunca escritas

Sussurra teu canto no ar que inspiro
Estrofes de seda a esvoaçar dizeres
Que o mar, os trará a meu cais

Maria de Jesus


sexta-feira, 11 de novembro de 2016








Plenitude

Hoje lembrei de um tempo distante, não dum qualquer,
mas daquele presente numa roda de bem-querer
onde as nossas vozes dançavam além de nós
inebriadas, na música de fundo dos olhares

Lembrei como doeu quando ciúme ou incompreensão
estremeceram os átomos do teu ser
Pois se todo o amor em mim se ampliou no amor por ti!
Como um espectro de arco-íris onde tudo ganha cor.

Bênção que infundiu em mim a plenitude
onde o peito é espaço aberto que acolhe toda a dor do mundo,
a molda em asas de pomba, e campos de girassóis
que ainda não perderam, do sol, o sentido.

Assim é o amor que geraste em mim


Maria de Jesus



terça-feira, 4 de outubro de 2016

Praia sem mar





Praia sem mar

Junto à praia, pegadas cautelosas
Moldes de areia asas de vento

Praia sem mar, quem o roubou?

Perscrutei o horizonte condoído
E lá dei com ele recolhido
Com as cores de minha alma vestido

Sussurrava baixinho…

Abraça-me com tuas lágrimas
Para que eu me possa cumprir



Maria de Jesus



quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Silêncios



O que mais retenho na memória são os silêncios
Vales profundos entre as colinas das palavras
Espaços onde o vento adeja e marcam compassos
Onde tantas vezes ficou a sombra de um adeus
Outras tantas, murmúrios de amor calados

O ruído do mar é a pauta de todos os silêncios
Dos que procuraram paz e lá a encontraram
E dos que lá estão sem nunca lá terem estado
O mar é o paraíso dos olhares encarcerados
Por rios de lágrimas que ali desaguam

Renascem em cânticos, rimas, beijos
Emergem em névoa de sal rumo às estrelas
Que com ela se enfeitam alumiando amados
Nas noites em que da terra ao céu, tudo cala
Para escutar os silêncios dos amores eternos


Maria de Jesus




segunda-feira, 9 de maio de 2016



Asas, preciso de asas

Voar é o estado natural
Nas asas que partilhamos
Quando olhamos o mar

Anoiteço, sufoco, calo
No deserto sem margens
Mapa de desencontro

Dá-me asas amor

Aquelas que desenhaste
Na ardósia da lua cheia
Em noites sem tempo

Traço nos ombros o xaile
Debruado a palavras
Fios rubros de ilusão

Ensaios ditosos
Baladas suaves, eternas
Que embalam meus sonhos
                                           

Maria de Jesus


quinta-feira, 28 de abril de 2016

Dia do Sorriso




Variações do teu sorriso

Como amo o teu sorriso!
Singular, ilumina-te o olhar
Teu coração contagia-se e irradia
O calor de um poderoso cristal

Vá vem daí, vamos apanhar estrelas?
Trocar com elas o brilho pelo sorriso
Brincar à luz e à sombra, quem ganhará?
Deixar que elas iluminem o trilho
Vá vem daí!

Em serena contemplação
Adormeci junto ao lago
Sonhei que vi uma garça
Avançava em gestos longos
Firmes e delicados
Quando se aproximou
Vi teu rosto sorrindo



Maria de Jesus




domingo, 11 de outubro de 2015

Canto Mar



Canto  Mar

Pela intenção me aproximo de ti
E a brisa travessa sopra as cinzas
Remanescentes do fogo nunca extinto
Do meu amor, por ti

Canto-te embalada na melopeia que só eu escuto
Nos pássaros, no vento, nas folhas que se despedem
Nas pombas brancas que recorto em papel
E que me lembram, de ti

Mar de sal liquefeito no meu sangue
Sou olhos rasos de ondas serenas
Pensamentos azuis que galgam distâncias
E poisam felizes, em ti, mar do meu canto



Maria da Paz

5 Outubro 2015








terça-feira, 24 de fevereiro de 2015



Prendi a Poesia

Mantenho-a cativa num olimpo onde ela sobreviva
Com ou sem palavras, só para os deuses faz sentido
Há tanto tempo que partiste, perdi a conta
Se horas, anos ou eras, que importa
Na árvore da vida nada se apaga
Quiçá um dia, uma menina apaixonada
Desenhe num tronco a memória desbotada
Duns versos semente de alvoradas
Que o vento espalhou por aí
E o tempo desse futuro tempo ainda exista,
Vívido, prenhe de sentido, tão só,
Pelo amor resgate de que é feita a alma dum poema
Ou pelos campos de estrelas, sementeiras dos poetas


Maria de Jesus