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quarta-feira, 11 de julho de 2018
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Recordar António Ramos Rosa
Sem dizer o fogo — vou para ele. Sem
enunciar as pedras, sei que as piso – duramente, são pedras e não são ervas.
O vento é fresco: sei que é vento, mas sabe-me a fresco ao mesmo tempo que a vento. Tudo o que eu sei, já lá está, mas não estão os meus passos e os meus braços. Por isso caminho, caminho porque há um intervalo entre tudo e eu, e nesse intervalo, caminho e descubro o meu caminho.
Mas entre mim e os meus passos há um intervalo também: então invento os meus passos e o meu próprio caminho. E com as palavras de vento e de pedra, invento o vento e as pedras, caminho um caminho de palavras.
Caminho um caminho de palavras
(porque me deram o sol)
e por esse caminho me ligo ao sol
e pelo sol me ligo a mim
E porque a noite não tem limites
alargo o dia e faço-me dia
e faço-me sol porque o sol existe
Mas a noite existe
e a palavra sabe-o.
António Ramos Rosa
O vento é fresco: sei que é vento, mas sabe-me a fresco ao mesmo tempo que a vento. Tudo o que eu sei, já lá está, mas não estão os meus passos e os meus braços. Por isso caminho, caminho porque há um intervalo entre tudo e eu, e nesse intervalo, caminho e descubro o meu caminho.
Mas entre mim e os meus passos há um intervalo também: então invento os meus passos e o meu próprio caminho. E com as palavras de vento e de pedra, invento o vento e as pedras, caminho um caminho de palavras.
Caminho um caminho de palavras
(porque me deram o sol)
e por esse caminho me ligo ao sol
e pelo sol me ligo a mim
E porque a noite não tem limites
alargo o dia e faço-me dia
e faço-me sol porque o sol existe
Mas a noite existe
e a palavra sabe-o.
António Ramos Rosa
quinta-feira, 22 de junho de 2017
segunda-feira, 5 de junho de 2017
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Um dos poemas mais lindos de sempre...pelo grande António Ramos Rosa
Estou
vivo e escrevo sol
Eu
escrevo versos ao meio-dia
e
a morte ao sol é uma cabeleira
que
passa em fios frescos sobre a minha cara de vivo
Estou
vivo e escrevo sol
Se
as minhas lágrimas e os meus dentes cantam
no
vazio fresco
é
porque aboli todas as mentiras
e
não sou mais que este momento puro
a
coincidência perfeita
no
ato de escrever e sol
A
vertigem única da verdade em riste
a
nulidade de todas as próximas paragens
navego
para o cimo
tombo
na claridade simples
e
os objectos atiram suas faces
e
na minha língua o sol trepida
Melhor
que beber vinho é mais claro
ser
no olhar o próprio olhar
a
maravilha é este espaço aberto
a
rua
um
grito
a
grande toalha do silêncio verde
António
Ramos Rosa
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
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