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domingo, 6 de maio de 2018

Como dizer-te



Como dizer-te que não me guiam rimas
Nem os aplausos pelas águas vivas
Que saltitam como peixes num rio
Geradas quando me pensas

Como dizer-te que és dom
De tantos, misericórdia e perdão
Mansidão em que te embalo

Como dizer-te que o sentir
Teu beijo, saudade, voz
Não é meu, mas das estrelas

Como dizer-te que, vibrantes
Anseiam de ti seu brilho
Amor, que com elas partilho

Alma Mater




sábado, 5 de maio de 2018

Minha Voz




Minha Voz

Minha voz faz-se canto quando falo de ti
Voa mais alto, torre, águia, tempestade
Ou chuva no deserto

Nascentes de amor, utopias
Pomba que esvoaça
Vento de mar, teu perfume

Na palavra desenho catedrais
De dia cílio ardente, de noite farol
Em alva pedra, altar

Na penumbra em que te afirmas
Sou nascente e foz de um rio
Há mil anos a desaguar em ti

Sem carvão ou grafite
Desenho teu nome na luz

Alma Mater



sexta-feira, 4 de maio de 2018

Pedacinhos de Ti



Pedacinhos de Ti 

Tudo me leva para o mar
Alvos novelos de lã, nuvens
Aquelas que teus olhos beijam
Assentes em aguarela azul

Sinto nas mãos as algas
Alfombras de teus pés,
No lilás que teima em florir
Na moldura da minha janela

O campo ondula no pico do meio-dia
Miríades de ondas em alto-mar
Nesta nau sem âncora ou lastro
Vogam, os pedacinhos de ti

Alma Mater

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Velando



Velando 

Beija os meus risos, a eles tão só
Deles farei borboletas rodopiantes
Ébrias de alegria moldes de encanto

Abraça-me com olhos de espanto
Como quando rezas ao infinito
E teus olhos derramam estrelas

Toca-me os cabelos só com a intenção
Da harpa que tange co silvo do vento
Melodias em pautas nunca escritas

Sussurra teu canto no ar que inspiro
Estrofes de seda a esvoaçar dizeres
Que o mar, os trará a meu cais

Alma Mater

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Quando morre um poema


Quando morre um poema
A galáxia obscurece
O sol recolhe-se em luto
As estrelas apagam
O mar revolta-se
As nascentes secam

Um poema é renascer em vida
É sentir o vibrar da ínfima flor
Perceber o murmúrio da terra
Saber o que nunca se aprendeu
Viajar no colo da utopia
É o oxigénio do fogo na caverna

Um poema relança o coração
Na órbita da unificação
É razão da existência da alma
Da ceia e da multiplicação
É o roce de um beijo
Passageiro do eterno


Alma Mater



terça-feira, 1 de maio de 2018

Flutuações



Flutuações

Embalo-me em movimento de mar
No fluxo e reflexo das marés
Entre tantos rostos ternos, francos
Busco incessantemente o mistério
Que só o teu sorriso contém

As margens conflituam-se
Diluem-se
Com o rocio da manhã
No sopro dos teus lábios são
Gotas de sol, num simples…olá

Vida morte renascer
Instante estendido
Entre a terra e o céu
Fim de tempo, missão

Em aceno de despedida
Dei-te o meu maior dom
Bênção, amor sem condição

Na derradeira fronteira
Dos mundos além-mundo
Será cajado da tua peregrinação

Alma Mater



segunda-feira, 30 de abril de 2018

Eu te levarei em mim




Eu te levarei em mim

Eu te levarei em mim
Enquanto houver vida, querido
Baterá no meu, o teu coração

Volume sem peso
Como uma mãe leva um filho
Que morreu sem viver

E tu estarás comigo
Querido, no som da chuva
Ou no sol que te imita o sorriso

E haverá estrelas eternas
Alumiadas de ternura
Salgadas de lágrimas
Húmus onde a alma floresce
Em labirintos desencontrados
Nos jardins do porvir

Querido…

Alma Mater