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domingo, 25 de junho de 2017

Quando o poeta morreu





"ne me quittes pas"


Tinha um não sei quê
de diferente
que me fazia amá-lo
como se fosse meu
e sempre que
a sua voz girava
o meu corpo balançava
em braços
que não eram os seus

Ouvia-lhe as palavras
como se fossem minhas
sentia o cheiro dos "gaulloises"
como se das minhas mãos
espreitassem
e guardava
o seu sorriso enigmático
no espelho
onde diariamente me via

Deixei-me morrer
na sua morte
e guardei as lágrimas
junto ao vinil
que ainda hoje
me faz voar e dizer
"ne me quittes pas"

MIA ( Linda Fernandes)

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O Teu Nome




O Teu Nome

Sussurro o teu nome
devagar
devagarinho
mas sempre que
a minha voz se levanta
chamo-te só meu Amor

Esqueço-o
no rubor das noites
e das ternas madrugadas
no suor das flores
em manhãs cheias de Verão
no entardecer nublado
desfeito de amar e mar

Desfaço-o
na minha boca
quando o som do meu
sai da tua
e às apalpadelas
em descendo
para que não se apague a LUA

MIA ( Linda Fernandes)



sábado, 10 de junho de 2017

Bate Coração




Que fazer
quando o coração cresce
e morre de frio
sem telhados para se aquecer?

Deixá-lo bater
num peito aberto de liberdade
ou silencia-lo de fome
nas bocas cheias de nada?

Não, coração
bate como nunca bateste
grita como nunca gritaste
e mostra ao mundo
a tua pátria agonizante
que há-de reerguer-se
mesmo que os vampiros
passeiem impunes
pelos prados ressequidos
da esperança que não há-de morrer

MIA ( Linda Fernandes)



sexta-feira, 31 de março de 2017

Cavaleiro Andante



Cavaleiro Andante

Oh, meu doce
cavaleiro andante
que me inquietas o sono
quando bates à janela
e foges para que te não veja

Desapareces
por praias lusitanas
cheias de aromas e sol
beijado pela areia
que não é a minha boca

Oh doce cavaleiro
como tenho ciúmes do mar
onde mergulhas
e te abraça o corpo
como se fosse o meu

Queria ser nau e partir
e amanhã bem cedo
esperar-te junto ao cais
ainda adormecida
na ânsia do teu beijo
para me acordar... 

MIA – Linda Maria Fernandes


segunda-feira, 20 de março de 2017

O que é?




O que é ?

Que saudade é esta
que o peito veste de negro
ainda que o sol
aqueça a planície que o teu olhar trás?

Que dor é esta
que os negros olhos carregam
e o frio não corta
nem os ventos levam no triste entardecer?

Que tristeza é esta
que me veste e que me calça
e embrulha os meus sentidos?

E que viver é este
cheio de saudade
e dor
e frio
e ausência
que nem a Primavera há-de levar?


MIA – Linda Maria Fernandes


quinta-feira, 16 de março de 2017

Para uma flor



Para uma flor


Porquê hoje
esta tristeza
se não é
na tristeza que moro?

Perco-me na distância
dum cheiro a Primavera
onde germina a flor
que há-de nascer
com os olhos cor do AMOR

Porquê hoje
esta tristeza
se há sol
e vesti de azul o teu olhar?

MIA – Linda Maria Fernandes

terça-feira, 7 de março de 2017

Para a minha Matilde



Para a minha Matilde

Oh meu amor
como a saudade me engole
num pranto triste de ausência

A seda dos teus cabelos
já não dança nos meus dedos
nem o rosa da tua face
é a cor com que me visto
sedenta do teu cheiro
que é tanto de ser tão pouco

E tenho tanta pena
querida Matilde
que reinvento o teu abraço
para me agasalhar a saudade
mas tenho frio...



MIA (Linda Maria Fernandes)




sábado, 18 de fevereiro de 2017

Quando já eras meu - Linda Maria Fernandes - Recomeços


Quando já eras meu

Quando tu já eras meu
e eu ainda não sabia
que amar para além de tudo
era o que mais queria
arrastava os pés no teu caminho
mas não te via
ainda que o teu perfume
se cruzasse com o meu
pelas ruas onde o vento
soprava rajadas
dum amor há muito guardado

E quando o relógio parou
para que os sinos batessem
anunciando quem éramos
todas as horas começaram
a vestir-se de magia
e as borboletas voaram
como se a Primavera
tivesse de novo voltado
com as andorinhas
passeando de mãos dadas.


MIA (Linda Maria Fernandes)