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sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Pela Minha Mão




PELA MINHA MÃO










Se me pedisses para pintar o verão
Verias um sol em mãos douradas sobre as searas
E nos montes cordeiros brancos, soltos
Olharias o mar a elevar-se à distância
E um arado lavrando na espuma
Seria violácea a sua voz húmida
E mais plácidos os cânticos
E os apelos das sereias
Não faltaria o luar no abraço de silêncio
Velando a ventura noturna
No seu brocado de rebeldia
E as crianças no seu dom de serem leves
Saltando de sonho em sonho
Nos ladrilhos cintilantes, soletrando o dia
Haveria um calendário de sílabas brancas
A repetir-se em gestos ledos em agosto
Sempre em agosto
A dourar os cabelos
E as maçãs do rosto
Soltaria, no céu da manhã, todas as aves
E os seus cantos
E flocos de neve e de nuvens vestindo anjos
E tiaras de margaridas brancas, brancas
Agitando-se em sublime sentinela
Um arco-íris riscando o céu
A beber nos teus olhos um arroio de cores
E eu seria um barco
Um lenço de prata no convés
Talvez um rio, talvez uma fonte
Um fio de água orvalhando-te os pés…
Se me pedisses para pintar o verão
Acrescentava o que lhe falta
O olhar que trago por dentro
O pouco que tenho, o pouco que me resta
Desprenderia as flores do meu vestido
Das nossas bocas os risos
E os versos
E o verão, meu amor, era uma festa!

Anabela Coelho