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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016





Memória da Terra


Não precisamos contemplar a chuva
Inverteram-se as posições
Agora é ela que nos contempla

Ergueram-se os olhos da terra

Que de cima verte sobre nós
O pranto ora cascateado ora intenso
De gotas transbordantes de pena

Das penas que colhem dos homens
Que laboram impregnados de ais
E amam, em leitos secos de amor

Dividem a terra em quarteirões
Torturam seu rosto com arame farpado
Carimbam papéis…a que chamam seus quinhões

As lágrimas abrandam pra seus olhos clarearem

Ela precisa ver com mais nitidez os insanos seres
Que constroem com orgulho suas prisões 
Onde se barricam com medos e provisões

Assentam sua história em quantos guerrearam
E os que mais matam…tornam-se heróis
A terra tem memória, a água, é a sua memória


A.